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Sócios da Sadia levam R$ 1,45 bi em ações

Para Furlan, Brasil Foods será maior exportadora de carnes do mundo

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Dez anos depois da primeira tentativa de união, os presidentes dos Conselhos de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, anunciaram ontem oficialmente o nascimento da Brasil Foods (BRF). Após uma série de idas e vindas, as empresas concluíram o negócio que dá origem à maior empresa de alimentos industrializados do País e a décima maior das Américas. A nova companhia terá um faturamento de R$ 22 bilhões e será a maior empregadora do Brasil, com 116 mil funcionários."Temos convicção de que estamos criando uma empresa campeã, que vai se tornar, no curto prazo, a maior exportadora de carnes processadas do mundo", afirmou Furlan. Para Secches, a união entre as companhias era uma solução "quase óbvia". "Seremos mais fortes atuando juntas, em um setor onde o Brasil tem as melhores condições de produção do mundo."Segundo os executivos, haverá uma associação entre as companhias. A Perdigão mantém seu CNPJ, incorpora a Sadia e passa a se chamar Brasil Foods. A Perdigão ficará com 68% do capital da BRF (cerca de R$ 10 bilhões), e a Sadia, com 32%. A parte financeira da Sadia - que inclui o banco e a corretora Concórdia -, entra na holding, sob a condição de que seja adquirida pelas famílias Furlan e Fontana no prazo de 15 dias. A solução dessa questão destravou as conversas nos últimos dias. "O grupo controlador da Sadia aceitou a responsabilidade de ficar com as entidades financeiras, abreviando as negociações", disse Furlan. Os ativos do banco e da corretora serão comprados pelas famílias por cerca de R$ 67 milhões, após a distribuição de lucros. Segundo Furlan, as controladoras da Sadia levaram cerca de R$ 1,45 bilhão no negócio - excluindo o valor da Concórdia. A quantia representa menos da metade do valor de mercado da empresa, de R$ 3,3 bilhões.A nova empresa terá um sistema de "governança compartilhada". Até 2010, Furlan e Secches dividirão a presidência do conselho de administração, que receberá ainda três novos membros, indicados pela Sadia. Os atuais presidentes executivos Gilberto Tomazoni, da Sadia, e José Antônio Fay, da Perdigão, também continuarão nos cargos por tempo indeterminado. Segundo Secches, a copresidência não será um problema. "Somos profissionais com carreiras consolidadas e temos boa relação pessoal há muito tempo."Nos próximos dias, a BRF vai contratar uma empresa para avaliar as principais sinergias do negócio, que podem chegar a R$ 4 bilhões. A Brasil Foods também vai implantar um comitê formado por seus principais executivos, para coletar informações e montar um plano de integração das duas companhias. "Combinamos que não haverá interferência operacional de uma empresa em outra nos primeiros meses."Os copresidentes da BRF negaram que a união resulte em demissões. Segundo Furlan, não há coincidências de fábricas em uma mesma região. "Não há sobreposições, em princípio." Além disso, os executivos apostam que a fusão dará forças para a empresa crescer mais e ampliar sua produção. DÍVIDAA BRF já nasce com uma dívida líquida de R$ 10 bilhões, que deverá ser equacionada com uma oferta pública de ações no valor de R$ 4 bilhões, prevista para ocorrer até o fim de julho. "A emissão nos coloca em uma situação mais confortável", disse Furlan. Segundo ele, o endividamento também diminuirá com um aumento de faturamento da companhia, que poderia chegar a R$ 30 bilhões. Somente após a emissão de ações, se conhecerá a estrutura societária definitiva da BRF. Por enquanto, a maior acionista individual é a Previ, com 12,3%. As famílias Furlan e Fontana vêm em seguida, com cerca de 12%.

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