Sócios da VarigLog brigam na Justiça

Parceiros brasileiros do fundo Mattlin Paterson estão sob suspeita de gastos irregulares de US$ 13 milhões

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

04 de outubro de 2007 | 00h00

Os três controladores brasileiros da VarigLog, Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel, estão sob suspeita, segundo fonte do mercado, de terem gasto irregularmente, em proveito próprio, pelo menos US$ 13 milhões do dinheiro que foi investido na empresa pelo fundo americano Mattlin Paterson. Entre as irregularidades estariam a compra de três jipes Land Rover blindados, avaliados em cerca de R$ 130 mil cada um, contratação de um lobista em Brasília por R$ 150 mil mensais e até o reajuste, de R$ 38 mil para R$ 70 mil, da remuneração dos membros do conselho de administração da empresa, do qual os três fazem parte.Audi, Gallo e Hatfel, sócios brasileiros do Mattlin Paterson, participaram da venda da Varig para a Gol, por US$ 320 milhões, em 28 de março deste ano. O fundo americano cobra na Justiça US$ 98 milhões que a Gol pagou à vista pela Varig. O dinheiro, que deveria ter sido devolvido ao fundo, foi depositado em uma conta na Suíça, na qual restam hoje US$ 85 milhões. A suspeita é a de que os investidores brasileiros gastaram os US$ 13 milhões que faltam, diz uma pessoa que acompanha esse processo. Os controladores da VarigLog foram procurados pelo Estado, mas informaram que não se pronunciariam sobre o caso.O Matlin conseguiu, na Justiça americana, o bloqueio da conta da Suíça, para evitar mais gastos dos executivos. Os três teriam também contratado a Audi Helicópteros, de propriedade de Marco Antonio Audi, com dinheiro da VarigLog (ex-subsidiária de cargas da Varig que controlava a própria empresa aérea), diz a fonte.A Volo do Brasil foi a empresa criada pelos três investidores brasileiros e o Matlin para comprar a VarigLog por cerca de US$ 48 milhões. A VarigLog, por sua vez, comprou a Varig por US$ 24 milhões no dia 20 de julho de 2006, mas a vendeu em março para a Gol. Até a venda para a Gol, o Matlin emprestou US$ 220 milhões para reerguer a operação da nova Varig, que no dia seguinte ao leilão judicial tinha apenas dois aviões.Do total pago pela Gol, US$ 98 milhões foram em dinheiro e US$ 172 milhões em ações. Os US$ 50 milhões referem-se a uma emissão de debêntures da nova Varig (VRG).Os três brasileiros, que se uniram ao chinês Lap Chan, representante do Matlin no Brasil, também teriam vendido 1,5 milhão de ações da Gol, do total de cerca de 6 milhões que a VarigLog recebeu como parte do pagamento pela Varig. O total arrecadado com esse negócio teria sido de US$ 30 milhões. No entanto, essa negociação não foi registrada em balanço.Os papéis restantes estão bloqueados pela Justiça. ''''O Lap está perplexo com a audácia dos três, mas se desfazer da sociedade não é tão fácil assim'''', afirma a fonte. No total, o Matlin Patterson emprestou à VarigLog US$ 220 milhões, mas cobra em três ações judiciais US$ 186 milhões. São duas ações na Justiça de São Paulo, na 9ª e 16ª varas cíveis, que cobram os US$ 98 milhões que já deveriam ter sido devolvidos.Uma terceira ação, em Nova York, faz a cobrança de US$ 88 milhões referentes a empréstimos concedidos à nova Varig entre o segundo semestre de 2006 e o primeiro trimestre deste ano.A VarigLog argumenta que um acordo verbal garantia que os recursos emprestados pelo Matlin só deveriam ser devolvidos em 2011, o que não consta nos contratos, segundo a fonte. Audi, Gallo e Haftel chegaram até a abrir dois inquéritos criminais na Justiça paulista alegando que o Matlin Patterson quer quebrar a VarigLog, conta a fonte.

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