Cleiby Trevisan
Cleiby Trevisan

Sócios de peso se unem em startup de marketing

Zmes, de Marcelo Tripoli, que reúne publicidade, tecnologia e consultoria, atraiu interesse de donos da Positivo e do Boticário

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 04h00

Um novo projeto que une consultoria, marketing e tecnologia será lançado hoje pelo publicitário Marcelo Tripoli, que nos últimos três anos e meio atuou na consultoria McKinsey e agora quer trazer o olhar de negócios para a Zmes. A empresa nasce com sócios de peso no mundo corporativo: os controladores do Grupo Boticário, Miguel Krigsner e Artur Grynbaum; o fundador da Positivo Tecnologia, Hélio Rotenberg; e Cláudio Loureiro, da Heads Propaganda. Juntos, eles investiram R$ 18 milhões na startup de marketing e terão 42,5% do negócio.

Segundo Tripoli, a Zmes se dedicará principalmente a clientes que têm o e-commerce e o marketing digital como partes fundamentais de sua atividade. A ideia é atrair grandes anunciantes que tenham a intenção de garantir que a publicidade que fazem na internet esteja em linha com seus objetivos de negócio. “O trabalho de muitos anunciantes no digital ainda é feito com a mentalidade da mídia de massa. Não há dados suficientes, e a tecnologia é muito deficitária”, diz Tripoli.

A publicidade digital não para de crescer. Segundo levantamento do Conselho Executivo de Normas Padrão (Cenp), os anúncios na web responderam por 22,7% de todo o gasto das agências brasileiras entre janeiro a junho de 2020 – alta de 2 pontos porcentuais ante o mesmo período do ano passado.

A publicidade digital tem atraído grupos de fora do setor do marketing. A Accenture Interactive, braço do grupo internacional de consultoria dedicado à comunicação, é uma força relevante nesse nicho. Em abril do ano passado, a companhia reforçou seu portfólio criativo com a agência Droga5, do publicitário David Droga, um dos criativos mais premiados do mundo. Segundo Tripoli, a Zmes vê a Accenture Interactive como uma concorrente direta.

Pesquisa motivou criação da Zmes

Uma das motivações para a criação da Zmes, segundo Tripoli, foi uma pesquisa que ele desenvolveu em 2018, na McKinsey. “Entrevistei muitos diretores de marketing e presidentes de empresas para entender as dores do mercado”, lembra. O levantamento, batizado de DMR (Digital Marketing Readiness), revelou que 80% dos grandes anunciantes ainda estavam em estágio embrionário na internet. “Todos os sócios da Zmes entenderam que existem muitas oportunidades para as empresas que não nasceram digitais inovarem na área de marketing.”

As equipes da Zmes vão atuar em tempo integral dentro da casa do cliente. “O trabalho vai ser tão integrado que vai ficar difícil saber quem é funcionário da empresa e quem é da Zmes”, diz o publicitário. A remuneração será feita por meio de pagamentos mensais – para a manutenção da equipe e pagamento de custos fixos –, mas a ideia, segundo Tripoli, é projetar antecipadamente para o cliente o potencial de ganhos de determinadas ações. E a Zmes quer participar desse lucro, caso ele se concretize.

Outro foco da Zmes, segundo Tripoli, será a tecnologia. Para medir os resultados das ações dos clientes, a companhia vai desenvolver ferramentas próprias, com uma equipe de 20 a 30 engenheiros dedicados a esse fim. “Queremos fazer uma série de conexões de dados, em todos os pontos de contato com o cliente, e deixar tudo isso disponível para ele. Essa é uma das grandes dificuldades do mercado hoje.”

Tudo o que sabemos sobre:
marketingstartupcomércio eletrônico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.