Daniel Teixeira
Daniel Teixeira

Sócios já gastaram R$ 13 bilhões com Belo Monte, o dobro do previsto

Maior hidrelétrica em construção no País deve ser concluída no fim de 2019, a um custo total de R$ 40 bilhões, e pode precisar de mais recursos dos sócios, entre eles Vale, Cemig, Eletrobrás e fundos de pensão; eles estimavam aportar R$ 6,5 bilhões

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2018 | 05h00

Desde que foi iniciada em junho de 2011, a construção da Hidrelétrica Belo Monte já exigiu R$ 13 bilhões de aportes de seus sócios – o dobro do previsto inicialmente: R$ 6,5 bilhões. Até o fim do ano que vem, quando a maior usina em obra no País será concluída, é possível que a administração da hidrelétrica precise de mais recursos para finalizar o projeto. O custo total até agora, corrigido pela inflação e com juros, é de R$ 40 bilhões. 

Além do bloco estatal (49,98%), formado por Eletrobrás, Chesf e Eletronorte, Belo Monte tem como sócios a Cemig, Light, JMalucelli Energia, Vale, Sinobrás, Neoenergia e os fundos de pensão Petros (de funcionários da Petrobrás) e Funcef (da Caixa).

Para construir a hidrelétrica, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou R$ 27 bilhões. O custo da usina, no entanto, foi subindo ao longo da obra por questões ambientais e sociais e não teve contrapartida do banco de fomento. Por isso, os sócios tiveram de colocar mais dinheiro na obra.

Agora, na reta final, a empresa ainda tem de resolver questões importantes para o equilíbrio financeiro da usina, de 11.233 megawatts (MW), no Rio Xingu (PA). No mês passado, a Norte Energia – concessionária que administra a hidrelétrica – perdeu uma arbitragem contra a Eletrobrás que envolve mais de 2 mil MW. Os sócios da usina entendiam que a estatal tinha a obrigação de comprar os 20% de energia destinada ao mercado livre por todo o tempo da concessão, por R$ 130 o MWh (hoje atualizados para R$ 217).

A Eletrobrás, sob o comando de Wilson Ferreira Jr., não concordou com essa condição. O processo, então, foi parar numa câmara de arbitragem, que deu decisão favorável à estatal em outubro. Agora a Norte Energia precisa encontrar um rumo para essa capacidade disponível. “Neste momento estamos fazendo estudos, simulações e definindo políticas de comercialização dessa energia no mercado”, afirma o presidente da concessionária, Paulo Roberto Ribeiro Pinto.

Isso significa decidir quanto a empresa vai vender agora, por quanto tempo e se algum sócio vai querer parte dessa energia. Segundo o executivo, não é fácil colocar energia no mercado livre no longo prazo – às vezes, nem é conveniente por causa das fortes oscilações. Ele garante, no entanto, que até o fim do ano o assunto estará resolvido. 

Até setembro, a usina estava com 97,95% das obras concluídas. No próximo dia 10 de dezembro deve entrar em operação mais uma turbina, somando 17 máquinas em funcionamento, com capacidade para 7,5 mil MW. Restarão apenas sete turbinas para concluir todo o projeto, que vão entrar em operação em 2019. Uma fonte próxima a um dos sócios de Belo Monte destacou que a expectativa é que a última máquina entre em funcionamento em outubro de 2019.

Receita da usina cresceu

Como resultado da entrada em operação das turbinas, a receita bruta de Belo Monte aumentou 79% neste ano, de R$ 2,1 bilhões em setembro de 2017 para R$ 3,7 bilhões. No período, a usina conseguiu reverter prejuízo de R$ 91 milhões até setembro do ano passado para lucro de R$ 791 milhões este ano. 

Apesar disso, de acordo com notas explicativas do balanço, a companhia tem um capital circulante líquido negativo (ativo menor que o passivo) de R$ 2,8 bilhões – o que significa que ainda serão necessárias “quantias significativas em custos de organização, desenvolvimento e pré-operação para conclusão da construção de Belo Monte”.

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