Socorro a banco foi maior na Europa e EUA

Brasil gasta 1,5% do PIB para estimular instituições financeiras, enquanto os EUA gastam 81% e a Alemanha, 22%

Jamil Chade, BASILEIA, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

O estudo divulgado ontem pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que apresenta os gastos dos países em pacotes de estímulo, mostra que quando o socorro é aos bancos, o Brasil gastou apenas 1,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Na Índia, a taxa chegou a 6%. Nos países ricos, os volumes chegaram a 263% do PIB na Islândia, mais de 230% na Irlanda, 81% nos Estados Unidos e 22% na Alemanha.

Em média, as maiores economias destinaram o equivalente a 32% de seus PIBs em injeção de capitais em bancos, compra de ações, empréstimos, apoio do Banco Central e garantias.

Para a ONU, a realidade é que isso não resolveu o problema. Muitos bancos continuaram sem emprestar, ainda que o sistema financeiro tenha sido salvo do colapso. Para a entidade, enquanto o desemprego aumentar e o consumo cair, os bancos não vão se sentir suficientemente cômodos para voltar a liberar recursos. Apesar de todas as medidas, a ONU alerta que as reformas prometidas no sistema financeiro internacional ainda não são profundas suficientemente para evitar uma nova crise no futuro. A entidade defende um novo regime de câmbio, novas regras para os bancos e mecanismos para evitar vulnerabilidades.

A constatação geral do levantamento é de que, se os gastos foram essenciais para evitar problemas ainda mais profundos, eles não foram suficientes para que a crise tenha sido superada. O alerta é de que os sinais positivos não podem ser confundidos com crescimento sustentável e que a alta é resultado da volta do apetite ao risco do mercado. A constatação é válida para quase todas as regiões.

A economia brasileira sofrerá ainda assim uma queda de 0,8% em 2009, contra um crescimento de 5,1% em 2008. O tombo será mais suave que a média latino-americana, de 2%. A pior situação na região é do México, com uma contração de 7%.

Mas China e Índia terão taxas bem superiores, de 7,8% e 5% respectivamente. Os dois países puxarão a média dos emergentes para cima. No geral, os mercados em desenvolvimento terminarão 2009 com um crescimento de 1,3%.

A América do Sul terá uma queda de 0,3% em seu PIB, com as reduções dos preços das commodities e das exportações. Esse cenário fez com que governos tivessem de cortar gastos.

COMÉRCIO

O comércio também impactou de forma mais dura os países dependentes do mercado americano. No caso do Brasil, as exportações respondem por uma taxa que varia entre 5% e 8% do PIB.

A região latino-americana passará de um superávit em 2008 em suas contas primárias para uma dívida de 2,3% do PIB. As remessas de imigrantes latino-americanos para seus países de origem ainda serão reduzidas em 4,4% em 2009, abaixo da taxa mundial de 5%.

Já os países ricos vão fechar o ano com quedas importantes, mesmo com o fim da recessão em algumas economia. No total, esse bloco de países terá uma redução de 4,7% em seu PIB.

Nos Estados Unidos, a retração será de 3% ante 6,1% na Alemanha. A estimativa é de que não existe a possibilidade de que os países ricos voltem a crescer neste ano a uma taxa suficiente para tirar a economia mundial da crise.

Nem investimentos nem o consumo nesses mercados devem ser retomados a níveis anteriores a setembro de 2008. Portanto, o PIB global sofrerá uma queda de pelo menos 2,5%. O estudo deixa claro que a crise é sem precedentes.

Já o comércio cairá em 11% em volume e em 20% em valores em 2009, segundo a Unctad.

Para 2010, a previsão é de um crescimento de 1,6% no PIB mundial, reforçando também a retomada dos preços das commodities.

JUROS

O relatório ainda aponta uma queda importante na taxa de juros no Brasil de 3, 5 pontos porcentuais. A redução foi uma das maiores entre dezembro de 2008 e maio de 2009, atingindo 10,25%. O Brasil seguiu uma tendência registrada em outros 40 países, que também cortaram de forma importante suas taxas de juros.

Argentina, Islândia, Letônia, Rússia, Ucrânia, Sérvia e Bielo-Rússia contam ainda com taxas de juros acima da que é praticada no Brasil, segundo o relatório da Unctad.

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