Socorro a bancos argentinos é inevitável, dizem economistas

A preservação do sistema bancário na Argentina deve ser uma das principais preocupações da equipe econômica do governo Eduardo Duhalde, após a aprovação das novas medidas de emergência de reativação da economia, ontem pelo Senado. Esta é a opinião do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renê Garcia, uma vez que as dívidas bancárias dos argentinos até US$ 100 mil foram pesificadas, pelo câmbio anterior de um a um, o que representa um prejuízo para os bancos, estimado em US$ 8 bilhões. "Não acredito em risco de quebra para o sistema financeiro, pois o governo fará de tudo para socorrer os bancos", afirmou. Para diminuir as perdas do sistema bancário, o governo criou um novo imposto sobre exportações de petróleo e seus derivados, cuja arrecadação deve atingir US$ 3,5 bilhões este ano. "O montante não será suficiente para cobrir os prejuízos e algum outro tipo de ajuda deverá ocorrer por parte do governo, o que tem implicações políticas negativas", lembra Garcia.A analista de mercados internacionais da Tendências Consultoria, Raquel Fleury, concorda com o economista no que diz respeito a esta questão. "Como o país está quebrado, talvez esse dinheiro tenha de vir dos organismos internacionais", diz. Além da dívida bancária, a analista ressalta que os bancos têm de honrar depósitos que chegam a US$ 48 bilhões. Com isso, o prejuízo total do sistema financeiro pode superar US$ 30 bilhões. "O governo ainda não deu sinais claros sobre a forma de compensação total desse prejuízo". Além dos bancos, Raquel afirma que também deverão ser compensadas as empresas prestadoras de serviços públicos, que tiveram o preço de suas tarifas congelados.Ela alerta ainda para o risco de inflação, com a liberação gradual dos saques e da emissão de moeda, o que também deve causar um overshooting no câmbio paralelo. "É uma preocupação, tanto é que o governo, na nova lei, já previu o controle de preços das tarifas públicas e de outros produtos". Renê Garcia não acredita em uma explosão dos preços, uma vez que a maior oferta de dinheiro seria compensada pela recessão. Tanto Raquel quanto Garcia acreditam que a Argentina caminha para um sistema de câmbio flutuante. "Haverá certamente uma liberação da taxa. O regime fixo é temporário e o câmbio duplo é inconsistente", diz Raquel, para quem a Argentina suportará esse regime duplo até quando as reservas internacionais agüentarem.Leia o especial

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