FILIPE ARAUJO/ESTADÃO
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Socorro à Sete Brasil ainda depende do BB

Uma das principais fornecedoras da Petrobrás espera decisão do banco estatal para contrair empréstimo e resolver urgências

MURILO RODRIGUES ALVES, LU AIKO OTTA, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2015 | 02h03

BRASÍLIA - Dada como certa para sair no início desta semana, a operação de socorro financeiro à Sete Brasil, uma das principais fornecedoras da Petrobrás, deve ser adiada por alguns dias porque detalhes do empréstimo-ponte de R$ 800 milhões, que resolveriam os problemas mais urgentes de caixa da empresa, voltaram a ser negociados pelo Banco do Brasil.

Uma das hipóteses é o BB assumir sozinho esse empréstimo ou liderar um consórcio com outros bancos. "As condições ainda estão sendo avaliadas pelo mercado", disse uma fonte a par das negociações que garante que a operação não será fechada hoje.

O Banco do Brasil condiciona a liberação do empréstimo-ponte à aprovação de outra operação, em torno de US$ 3,5 bilhões, liderada pelo BNDES, para a contratação de oito sondas. O assunto foi tratado em reunião entre a presidente Dilma Rousseff e os presidentes do BB, Aldemir Bendine, e do BNDES, Luciano Coutinho.

A presidente pediu "empenho" ao Banco do Brasil para "desatar esse nó emblemático" e evitar uma crise no sistema financeiro e na cadeia produtiva da indústria naval, como consequência dos desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção na Petrobrás.

A Sete Brasil enfrenta dificuldades para conseguir recursos e saldar as dívidas de curto prazo. A única fonte da empresa hoje são os aportes dos acionistas - a empresa tem como sócios Bradesco, BTG Pactual, Santander, fundos de pensão de estatais, FI-FGTS e Petrobrás -, mas os acionistas comprometeram todos os recursos. "Essa é uma situação crítica. Com a liberação dos empréstimos, a empresa conseguirá pagar os estaleiros, os fornecedores e começar a entregar as sondas", afirmou a fonte.

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Para dar uma base jurídica à concessão de novos empréstimos para as construtoras, a Advocacia Geral da União (AGU) elaborou, no fim do ano passado, um parecer no qual afirma que não há empecilhos jurídicos à concessão de novos financiamentos a empresas que estão sob investigação.

Uma autoridade argumentou que, se houvesse um bloqueio a novas operações, isso equivaleria a antecipar o desfecho de uma investigação que ainda está em curso.

Esse parecer foi elaborado para responder a uma consulta do BNDES, que tem sido a principal fonte de recursos no mercado doméstico para as grandes construtoras.

Cautela. Por outro lado, a AGU e o Banco Central frisaram, nesse parecer, que a ausência de obstáculos jurídicos não dispensaria os bancos de avaliar as novas operações sob a ótica prudencial. Pelo contrário, foi recomendado aos bancos oficiais que redobrassem a cautela na hora de classificar o risco, fazer provisionamentos e exigir garantias.

Observados esses cuidados, o entendimento do BC é que o refinanciamento de dívidas das empresas investigadas ou a concessão de novos empréstimos não constitui, por si, gestão temerária por parte da instituição financeira. Isso porque algumas das empresas envolvidas são sólidas do ponto de vista patrimonial, mas atravessam um momento de dificuldade em obter recursos e quitar suas obrigações de curto prazo.

No entendimento do governo, a continuidade do funcionamento delas é a melhor garantia que os bancos podem ter de que as dívidas serão pagas. Já a situação oposta pode comprometer a saúde das próprias instituições financeiras, uma vez que elas têm grande exposição às empresas investigadas.

Além da preocupação com a crise financeira, o governo teme os impactos da Lava Jato nos investimentos e no emprego. Já há, no mercado, quem estime queda na taxa de investimentos em função de atraso em projetos nas áreas de petróleo, gás e energia.

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