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Sodexho compra a VR e briga pela liderança em vales-refeição

Nova empresa terá receita de R$ 6 bilhões por ano, porte parecido com o da líder Ticket

Patrícia Cançado, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2007 | 15h53

O grupo francês Sodexho anunciou ontem a compra da VR, empresa brasileira de tíquetes-alimentação fundada há 30 anos pelo empresário Abram Szajman. O valor do negócio, assinado na noite de sexta-feira com a presença do fundador da Sodexho, Pierre Ballon, foi de 380 milhões (R$ 1 bilhão). O pagamento será feito em dinheiro. Os franceses podem levar ainda, por R$ 150 milhões, 20% da SmartNet, empresa de tecnologia da VR especializada no processamento dos cartões de benefício, segundo fontes ligadas às negociações. Pelo acordo atual, porém, a Sodexho usará apenas os serviços da empresa por cinco anos.O negócio está sujeito à aprovação do Banco Central e do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A aquisição criará o primeiro ou o segundo maior grupo do setor no Brasil, com um volume de negócios de 2,3 bilhões (em torno de R$ 6 bilhões), uma carteira de 40 mil clientes e 5 milhões de beneficiários, segundo informações da Sodexho. Daqui em diante, a liderança será disputada palmo a palmo com a também francesa Ticket, do grupo Accor, que diz ter 50 mil clientes e movimentar R$ 6,3 bilhões em negócios. A terceira posição ficará com a Visa Vale, aliança entre Visa International, Bradesco, BB Banco de Investimentos e ABN Real. ''''O preço foi um pouco alto. Mas existem várias sinergias operacionais entre as empresas. Foi uma oportunidade rara'''', disse à imprensa francesa o analista de mercado Guillaume Rascoussier, que recomendou a compra das ações da Sodexho. As ações da companhia caíram 1,6% após o anúncio. Até sexta-feira, elas haviam caído 4,7% no acumulado do ano, enquanto os papéis da sua maior concorrente, a Accor, avançaram 6,2% no período. O Brasil é considerado um mercado estratégico para a Sodexho. Com a compra da VR, cerca de 20% das vendas virão do Brasil. Além de uma carteira poderosa de clientes, os franceses também levam uma marca mais forte até que a Sodexho. O sócio da consultoria Partner, Alvaro Musa, acredita que a SmartNet, da VR, também tem muito a ganhar com a operação. ''''Com a compra, é provável que a tecnologia possa ser levada para fora do Brasil por meio da Sodexho. Essa sempre foi a grande intenção deles'''', diz Musa. NAMORO ANTIGO O namoro entre as empresas era antigo. No meio do caminho, a VR também teria sido assediada pela Accor, dona da Ticket. O fundador da empresa já estava fora do dia-a-dia há alguns anos. A operação era tocada pelo filho, Claudio, responsável por conduzir todo o processo de negociação da venda. Ele foi até mesmo convidado a participar do Conselho de Administração da nova companhia. Mas a palavra final foi de Abram, que só apareceu no dia da assinatura do contrato. A aquisição foi assessorada pela consultoria McKinsey e pelos advogados do escritório Machado Meyer. A Sodexho foi assessorada pelo Citi e pelo escritório Souza, Cescon. A venda encerra uma fase pródiga empresarial de Abram. Os negócios que restaram - a SmartNet e a gravadora Trama - foram criados pela segunda geração dos Szajman. Filho de imigrantes pobres da Polônia, Abram começou a trabalhar como office-boy na malharia de um tio. Ficou lá por dez anos, juntou algum dinheiro e montou uma corretora para negociar na Bolsa de Valores. Nos anos 70, vendeu a corretora para arriscar a sorte numa fábrica de tecidos com Mendel Steinbruch e Jacks Rabinovich (criadores do grupo Vicunha). Como o negócio não deu certo, Abram o fechou e voltou para o mercado financeiro. Aos poucos, comprou ações até virar dono de 20% do banco Real e de 20% do Mappin. Anos mais tarde, vendeu sua parte no Real com grande lucro e tomou calote do Mappin nas mãos de Ricardo Mansur. Há mais de 20 anos o empresário dirige a Federação do Comércio de São Paulo. NÚMEROS R$ 6,3 bilhões é o volume de negócios movimentado no Brasil pela Ticket, do grupo francês Accor R$ 6 bilhões é a previsão de volume de negócios que será movimentado pela nova empresa criada com a compra da VR pela francesa Sodexho R$ 4,8 bilhões é o volume de negócios da Visa Vale, que cai para a terceira posição nesse ranking

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