Sergio Zacchi|Divulgação
Sergio Zacchi|Divulgação

Software da IBM pode reconhecer imagens captadas por drones

‘Watson’ foi ‘treinado’para decodificar centenas de imagens agrícolas, como situações de estresse e uso de solo

Clarice Couto, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2016 | 05h00

A IBM Brasil tem desenvolvido pesquisas voltadas especificamente para o agronegócio e, nos últimos 12 meses, passou a destinar 15% dos recursos humanos e financeiros de seu Laboratório de Pesquisas no País para a área da agricultura digital. “Antes existia o esforço de entender o setor. Agora dizemos que entramos na fase do ‘fazer as coisas’”, contou ao Broadcast Agro o diretor do laboratório da IBM Brasil, Ulisses Mello.

A IBM não divulga dados de investimentos no Brasil. No mundo, são US$ 6 bilhões por ano, distribuídos por 12 laboratórios globais. Quanto ao time de pesquisadores do Brasil, o executivo informou que ele cresceu, neste ano, 20% sobre o inicialmente previsto para 2015 - o que leva a aproximadamente 120 funcionários.

A IBM monitora a agropecuária há mais de uma década e a última fronteira sobre a qual a companhia está se debruçando é a da agricultura digital. A empresa não pretende criar aplicativos, mas oferecer uma plataforma aberta, a AgroPlataforma, “nuvem” com soluções e informações de interesse específico do agronegócio que poderão ser utilizadas por desenvolvedores de aplicativos - startups e universidades. A AgroPlataforma foi inspirada na IBM Bluemix, nuvem de soluções destinada a desenvolvedores de outras áreas que não a agropecuária.

Uma das soluções oferecidas na AgroPlataforma é o Watson Visual Recognition, software que faz o reconhecimento de imagens captadas pela câmera de um drone. A IBM “treinou” o Watson para decodificar centenas de imagens relacionadas à agricultura, dentro de diversas categorias, como florestas nativas, florestas plantadas, plantas em diferentes estágios de desenvolvimento, em variadas situações de estresse e usos de solo.

Identificação. Ao analisar a imagem de uma planta captada por drone, o Watson pode identificar se ela está saudável ou não – para o produtor, quanto mais rápido ele detectar uma área com pragas, mais ágil será o combate ao problema. Por ser um produto em constante desenvolvimento, ele também pode ser treinado para reconhecer outras informações que o desenvolvedor do aplicativo considerar úteis. Se uma startup, hipoteticamente, quiser criar um aplicativo destinado às lavouras de arroz do Sul do País, o sistema poderia ser treinado para detectar ocorrências típicas da cultura.

Os pesquisadores brasileiros do laboratório também vêm trabalhando em modelos de previsão de clima local, que cruzarão dados da The Weather Company, maior empresa de clima privada do mundo, adquirida pela IBM em outubro de 2015 por cerca de US$ 2 bilhões, segundo estimativa do The Wall Street Journal à época. Estes dados, por exemplo, podem ser cruzados com informações históricas de umidade de solo e dados locais captados em tempo real para dar recomendações sobre uso racional de água na irrigação de determinada área no Brasil

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