Solo saturado de água em todo o Estado

Apenas em Jaboticabal, Taubaté, Ribeirão Preto, e Campinas nível de água nos terrenos está abaixo do limite máximo

Ana Maria H. de Ávila, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

Janeiro é, em média, o mês que mais chove e, em vários municípios analisados, o volume acumulado já superou a média histórica. Além do volume acumulado, as chuvas foram intensas, provocando impactos nas lavouras e nas estradas rurais.

Em Jaú, nesta última semana, o total acumulado foi de 173 milímetros; em São José do Rio Pardo 155 e em Sorocaba 99. A umidade do solo está em nível de saturação em todas as localidades - apenas em Jaboticabal, Campinas, Ribeirão Preto e Taubaté ela está abaixo do limite máximo. As altas temperaturas mantêm elevada a demanda hídrica da atmosfera, com evapotranspiração diária em torno de 4 milímetros ou mais.

Banana. Na região do Vale do Ribeira, os bananicultores estão em plena colheita, apesar de a chuva atrapalhar os trabalhos de campo. No ano passado, nesta mesma época, houve muitas perdas das plantações com as enchentes. Agora os produtores estão recuperando as perdas. Entretanto é preciso ficar atento. O clima úmido e quente favorece o ataque de pragas e doenças, como a broca, principal praga da banana.

Como excesso de água no solo, os agricultores têm dificuldade de transitar com as máquinas na lavoura e não conseguem avançar com o preparo do solo para o plantio das culturas de segunda safra, como o milho safrinha e o sorgo. Nas regiões mais quentes, do oeste e noroeste, municípios de Votuporanga, Jales e São José do Rio Preto, o período recomendado pelo zoneamento agrícola termina no fim do mês. Nos municípios de Assis, Bebedouro Ribeirão Preto e Guaíra, o zoneamento indica o plantio até o primeiro o começo de março.

As chuvas estão prejudicando a safra do tomate que está sendo colhido na região de Ribeirão Branco. A umidade e o calor favorecem o ataque de pragas e doenças, piorando o aspecto dos frutos e, além do mais, os produtores têm dificuldade para aplicar os defensivos na lavoura.

Começou a colheita do amendoim no Estado e o excesso de água no solo aumenta os riscos de doenças fúngicas nos grãos. A maioria das lavouras é plantada em consórcio com a cana-de-açúcar e a safra promete ser maior do que a do ano passado.

As frequentes chuvas prejudicaram as atividades nas lavouras e os produtores aproveitam os períodos de sol para prosseguir rapidamente com a colheita do figo em Valinhos, Jundiaí e Atibaia, da manga em Taquaritinga e Monte Alto, do pêssego e da nectarina no Vale do Paranapanema, da lichia em Tupã.

ANA MARIA H. DE ÁVILA É PESQUISADORA DO CEPAGRI/UNICAMP. MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TEMPO E CLIMA, ACESSE WWW.AGRITEMPO.GOV.BR

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