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Solução à americana para mídia em cinema

Inspirada na NCM, dos EUA, Flix foi criada para aumentar receita de exibidores com publicidade

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2013 | 02h11

A receita das salas de cinema com publicidade cresceu 22,5% no ano passado e liderou o ranking entre os diferentes meios de veiculação. O resultado se torna ainda mais relevante ao se considerar que, até 2011, a procura por ações de mídia nos cinemas estava em queda.

Um dos principais fatores que colaboraram com essa virada radical foi uma iniciativa da rede Cinemark, líder no mercado nacional, com 500 salas. A exemplo de sua matriz americana, que criou a NCM Media, a subsidiária brasileira fundou a Flix, empresa que comercializa publicidade em cinema e tem o objetivo de ampliar e profissionalizar o uso dessa mídia no Brasil.

Entrando no segundo ano de atuação, a Flix passou seus primeiros 12 meses de vida fazendo um trabalho de promoção das salas de cinema entre as agências de publicidade, conta Adriana Cacace, diretora geral da empresa. O objetivo era mostrar as possibilidades do cinema além da exibição de comerciais na tela grande. Há oportunidades para banners impressos nos corredores, experimentação de produtos e até de situações que unem a compra do ingresso pela internet a uma ação no dia em que o cliente for assistir ao filme, como fez a Natura no ano passado (leia abaixo).

Apesar de ser um negócio independente, a Flix teve a vantagem, logo de saída, de ter como cliente a maior rede de cinemas do País. Agora, conquistou mais um parceiro: desde 1º de abril, a Kinoplex - marca que passará a representar a cadeia também conhecida como Severiano Ribeiro - elevou o número de cinemas atendidos pela Flix para mais de 700 (hoje, a Kinoplex administra 214 unidades no Brasil). "A empresa foi criada para atender ao mercado como um todo", diz Adriana, da Flix. "É por isso que a estrutura foi totalmente separada da Cinemark."

Ao fazer a parceria com a Flix, a Kinoplex encerrou o contrato de veiculação que tinha com a Mobz. O Estado tentou entrar em contato com a Mobz, sem sucesso, e fontes de mercado informaram que a empresa estaria encerrando suas atividades.

A chegada da Flix também prejudicou o negócio da Auwe Digital, que perdeu parceiros importantes em São Paulo e no Rio e foi obrigada a "interiorizar" sua atuação e adaptar sua oferta para anunciantes que buscam conquistar a classe C. Hoje, segundo uma fonte da empresa, o único cliente que restou em território paulista foram as quatro salas do Reserva Cultural.

Apesar de a Flix ter "chacolhado" o mercado, a participação do meio cinema no mercado brasileiro representa somente 0,35% do total dos gastos com publicidade. Para a executiva da Flix, é possível pelo menos dobrar essa fatia no curto prazo, já que o brasileiro está indo mais ao cinema. Em 2012, lembra ela, foram vendidos 148 milhões de ingressos no País, 5,7% mais que no ano anterior, ritmo melhor que o da economia, que cresceu só 0,9%.

Outro fator que deverá contribuir para o crescimento do uso da mídia cinema é o aumento do número de salas no País, que hoje está em 2,6 mil. O presidente da Cinemark, Marcelo Bertini, diz que a meta da empresa para 2013 é inaugurar um complexo de cinemas por mês até dezembro. Já a Kinoplex, de acordo com a gerente comercial Elizabeth Tinoco, diz que a empresa pretende inaugurar 15 novas salas até o fim do ano.

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