Solução da crise europeia é vital, diz ministra chinesa

A solução da crise europeia é de "importância vital" para a China. A afirmação foi feita ontem pela vice-ministra de Relações Exteriores Fu Ying, que não revelou se o país asiático aumentará os investimentos em títulos da dívida da região ou se irá ao socorro da combalida Grécia.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

Rumores nessa direção inundaram os mercados anteontem, quando o governo chinês anunciou formalmente a visita que o primeiro-ministro Wen Jiabao fará na próxima semana à Alemanha, ao Reino Unido e à Hungria.

"A China tem estado de maneira consistente bastante preocupada com o estado da economia europeia", declarou a vice-ministra em entrevista coletiva sobre a viagem. "Se a economia europeia pode se recuperar e se algumas economias podem superar as dificuldades e evitar a crise é de importância vital para nós", ressaltou Fu.

A Europa é o principal destino das exportações da China, que tem cerca de 25% de suas reservas internacionais denominadas em euros. O agravamento da crise na região pode levar à desvalorização da moeda e reduzir o valor dos recursos administrados pelo Banco do Povo da China.

Com o maior volume de reservas internacionais - cerca de US$ 3 trilhões -, a China é vista como uma candidata óbvia ao papel de salvadora da Europa.

Contribuição. Na coletiva de ontem, a vice-ministra ressaltou que o país já deu pelo menos parte de sua contribuição nesse sentido e citou como exemplo o aumento da compra de títulos da dívida de países europeus. O país já é o maior credor dos Estados Unidos, com US$ 1,15 trilhão em títulos do Tesouro.

"Esperamos ajudar os países da zona do euro a superar a crise, e isso também é benéfico para o próprio desenvolvimento econômico da China", ressaltou Fu.

Wen Jiabao já havia prometido ajuda à Europa na visita que realizou há poucos meses a Portugal, França e Espanha. Em outubro, o primeiro-ministro esteve na Grécia e anunciou que o governo chinês ampliaria a compra de títulos da dívida e os investimentos no país europeu.

Ao mesmo tempo em que acenará com o apoio às nações em dificuldade, Wen Jiabao pressionará a região a suspender as barreiras comerciais contra a importação de produtos chineses. Essas barreiras se tornaram mais comuns depois da eclosão da crise financeira global, em 2008.

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