André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Solução não virá no curto prazo, afirma Meirelles

Na China, ministro diz reconhecer cobranças por rapidez na resolução do problema fiscal, mas afirma que não dá para fazer isso em dias ou semanas

Fernando Nakagawa, Cláudia Trevisan, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2016 | 23h14

XANGAI - A solução do problema macroeconômico no Brasil não virá em dias ou semanas. O recado foi dado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na China, onde participa da reunião das 20 maiores economias do mundo, o G-20. Meirelles argumentou que um eventual anúncio de medidas de curtíssimo prazo não resolveria o problema, ao contrário. Uma iniciativa dessa natureza poderia até gerar ainda mais frustração entre os agentes econômicos.

Meirelles reconhece que alguns agentes podem levantar perguntas em tom de cobrança sobre o ritmo do trabalho da equipe econômica, como: “Mas cadê as reformas?” e “Não aprovou ainda?”. “Acho que ainda nos compete esclarecer e explicar o seguinte: estamos pela primeira vez em 28 anos fazendo uma mudança estrutural das contas públicas e das despesas, o que envolve uma mudança na Constituição. Isso é um processo que tende a demorar alguns meses. Não existe país que faça mudança na Constituição dessa dimensão em poucos dias ou poucas semanas”, disse.

O ministro da Fazenda, que faz parte da comitiva levada para a China pelo presidente Michel Temer, comentou que, diante da deterioração fiscal, às vezes eram anunciadas “medidas intensas, mas que não resultavam em muita coisa. Tanto (é verdade) que as despesas aumentavam” algum tempo depois. Em algumas situações, a ansiedade por medidas pode levar a uma “atitude frenética que aparenta um ganho de curto prazo, satisfaz a ansiedade, mas não resolve o problema”, disse o ministro.

Credibilidade. Meirelles negou que o governo tenha perdido a credibilidade entre os agentes do mercado financeiro, especialmente sobre a perspectiva de resolução do problema macroeconômico. Na avaliação dele, a tramitação da emenda à constituição para limitar aumento de gastos públicos pode ser considerada “rápida”.

“Não existe essa erosão de confiança”, disse. “A minha medida de confiança do mercado está expressa nos índices de confiança, seja do comércio, da indústria, de serviços e do consumidor. Esses índices estão subindo fortemente. Então, a confiança está cada vez maior, está se reforçando”, disse.

O ministro reconhece que há preocupação sobre a solução do problema fiscal, mas nota que a solução efetiva exige medidas estruturais. Ao lembrar que os gastos têm apresentado crescimento consistente desde 1991, voltou a dizer que as soluções não são simples e rápidas. “Exatamente por isso que nós estamos enfrentando a questão constitucional.”

Para ele, o tema tem evoluído “muito rápido”. “O procedimento constitucional está seguindo muito bem”, afirmou.

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