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Solvay, dona da Rhodia, compra empresa química brasileira

Aquisição marca a entrada da companhia no segmento de cosméticos; grupo volta a negociar seus ativos de PVC

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2014 | 02h04

O grupo belga Solvay, dono da Rhodia, anuncia hoje a aquisição da empresa brasileira Dhaymers Química, especializada em insumos (ésteres) utilizados para a produção de cremes e protetores solares. O valor da operação é de 20 milhões (ou R$ 63 milhões) e marca a entrada da gigante química no segmento de cosméticos.

Ao Estado, Valdirene Licht, vice-presidente da Solvay Novecare (produtos de alto desempenho) América Latina, disse que o Brasil será a base para esse segmento, que se tornará global no futuro. "A aquisição marca a entrada da Solvay nesse negócio e a partir da fábrica da Dhaymers, instalada em Taboão da Serra (Grande São Paulo). Pretendemos exportar os insumos para países da América Latina."

De acordo com a executiva, a empresa deverá receber investimentos para expansão de sua produção. Essa unidade produz emolientes e emulsificantes, muito usados pelas empresas de cosméticos para produção de cremes e protetores solares, além de outros insumos para as indústria de óleos lubrificantes, laminação e mineração. "O leque de aplicação é grande." A companhia terá como clientes empresas como Unilever, Procter & Gamble (P&G) e L'Oréal.

No fim do ano passado, a Solvay adquiriu no País a empresa de especialidades químicas Erca, localizada em Itatiba (interior de São Paulo), com portfólio de produtos de formulações para as áreas de cuidados pessoais e agronegócios.

"Nesses últimos meses, a Solvay investiu R$ 240 milhões no Brasil, que já inclui as aquisições da Erca e agora Dhaymers e a expansão da fábrica de Itatiba. Logo, iremos definir a expansão da Dhaymers", afirmou Valdirene.

Estratégia. Desde 2010, a estratégia global da Solvay, que tem faturamento de quase 10 bilhões, tem sido concentrar suas atividades em especialidades químicas e negócios com margens mais atraentes. Com isso, a empresa está se desfazendo de operações consideradas "commodities".

Os ativos de PVC do grupo - um deles no Brasil (em Santo André) e outro na Argentina (Baía Blanca) -foram incluídos nesse pacote de desinvestimento.

No fim de 2013, a Solvay anunciou a venda desse negócio para a petroquímica brasileira Braskem, por quase US$ 300 milhões. No entanto, em novembro passado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou a operação por entender que poderia haver concentração, uma vez que a Solvay é a principal concorrente da Braskem no mercado de PVC na América do Sul.

Esses ativos também estavam sendo disputados no ano passado pelo grupo mexicano Mexichem, que no Brasil é dono da Amanco. A operação era considerada estratégica para companhia, uma vez que permitiria a verticalização da operação no País.

Com a negativa do Cade, os ativos da Solvay voltam para a prateleira. Sobre esse assunto, a Solvay informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está analisando alternativas para esse negócio.

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