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Solvência do Brasil preocupa Deutsche Bank

O economista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Leonardo Leiderman, disse à Agência Estado, em entrevista por telefone de Londres, que as medidas anunciadas nesta quinta-feira pelo governo brasileiro "são efetivas e podem ajudar a acalmar os mercados que estavam turbulentos nos últimos dias", mas não resolvem "todas as incertezas da economia brasileira para o futuro".Leiderman disse que o mercado "compreende" a possibilidade do governo brasileiro de sacar até US$ 10 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas que "não é dinheiro novo". Ele observa que esse dinheiro já estava previsto no programa existente junto ao FMI.A possibilidade de que esses recursos estejam disponíveis imediatamente aumentam a liquidez e fortalecem a posição financeira do Brasil, "mas a medida sozinha não resolve o problema de solvência e sustentabilidade da dívida". Para ele, para criar um ambiente mais favorável, seria necessário "abrir um compromisso mais forte de todos os candidatos à Presidência da República de continuidade da política econômica e de ajustes adicionais nos gastos públicos".As despesas públicas precisam cair mais em relação ao Produto Interno Bruto e há também a necessidade de um compromisso de realização das reformas tributárias e da previdência, para criar um ambiente mais positivo, disse o economista.A eleição de outubro é um ponto de intranqüilidade para o mercado financeiro, argumenta. A possibilidade de descontinuidade da política econômica brasileira dos últimos oito anos cria incertezas, diz. Outro ponto de preocupação é com relação aos investimentos estrangeiros diretos neste mês de junho e nos seguintes, embora os dados disponíveis mostrem que, até o início do ano, estavam "bastante positivos e acima da expectativa"."É de se supor que a turbulência das últimas semanas criou um pouco mais de pessimismo e provavelmente tenha havido redução dos investimentos diretos", disse ele. "O que preocupa sobretudo é a solvência do Brasil, a habilidade de o país pagar todas as suas obrigações tanto deste ano como no próximo", afirma."Para isso é preciso que a economia cresça de uma forma mais acelerada, que o mercado de crédito reduza a taxa real de juros e que se dê segurança no futuro de que a política fiscal continuará ajustada, mantendo um superávit primário de pelo menos 3,5% do Produto Interno Bruto", observou o economista ao comentar o anúncio desta quinta-feira do governo de que pretende elevar a estimativa de superávit para este ano e o próximo de 3,5% para 3,75% do PIB.Leiderman disse que "confia na capacidade do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e de sua equipe", mas que o momento atual é de turbulência e que é preciso "muita cautela" e mudanças profundas também nas taxas de juros.

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