Dida Sampaio/Estadão - 13/3/2019
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'Somos liberais e liberais não aumentam impostos', diz Guedes

Ministro da Economia afirmou que igrejas manterão imunidades tributárias, ao contrário do que disse o secretário da Receita, Marcos Cintra

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 15h33

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira, 30, que não haverá aumento de impostos e que igrejas manterão imunidades tributárias hoje concedidas. A declaração foi dada depois de o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, dizer, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que até dízimo pagará um novo tributo em estudo que incidirá sobre pagamentos. 

"Vamos deixar absolutamente claro que somos liberais e liberais não aumentam impostos, eles simplificam, substituem. O que o Cintra estava falando é que, num futuro próximo, gostaríamos de desonerar folha de pagamentos. Tributar folha é cruel, perverso", afirmou. 

O ministro confirmou que uma alternativa considerada para compensar a desoneração da folha é o imposto sobre pagamentos que, segundo ele, "Marcos Cintra namora há muitos anos". Ele disse que o secretário "deu azar" ao falar de tributar dízimo. 

"Preferia que o Cintra tivesse falado que bandido vai pagar, traficante vai pagar, falou logo igreja? Deu azar. Quem vai pagar é traficante, bandido, todo mundo que faça pagamentos", afirmou. 

Guedes reiterou que as igrejas manterão imunidades, como do pagamento de tributos sobre renda e propriedade. "Ninguém vai mexer em imunidades de igrejas. Estamos pensando em tributar espaço novo para ter uma base boa e a folha. Vamos gerar até 5 milhões de empregos em um espaço de um ano com desoneração da folha", completou.

O ministro disse ainda que tanto a reforma tributária e mudanças no pacto federativo são importantes e estão sendo estudados, mas que o timing para o envio ao Congresso Nacional será decidido pela área política. 

Como o Estado antecipou, o governo prepara uma reforma tributária que prevê trocar até cinco tributos federais por uma única cobrança. A proposta também vai acabar com a contribuição ao INSS que as empresas pagam atualmente sobre a folha de pagamentos. Em substituição, duas opções estão à mesa: a criação de um imposto sobre todos os meios de pagamento – cheques, cartões de crédito e até mesmo dinheiro vivo – ou um aumento adicional na alíquota do imposto único.

 

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