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Somos todos taxistas

Foram vários os casos de violência de taxistas contra motoristas e clientes do Uber nos últimos dias. O aplicativo que permite contratar motoristas particulares tem sido acusado de concorrência desleal pela categoria, pois seus carros estão livres da regulamentação imposta aos táxis. A princípio, o Uber só facilitaria o contato entre pessoas que querem se deslocar e motoristas que já estão no mercado. Na prática, funciona como central de chamadas e taxímetro para motoristas particulares.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 03h00

Atualmente, somos todos taxistas. Não no sentido de reagir violentamente às inovações tecnológicas, mas de vermos os mercados em que atuamos profundamente modificados por elas. Recentemente, o presidente da Vivo, Amos Genish, acusou o serviço de mensagens WhatsApp de pirataria.

Além de trocar mensagens, as pessoas podem fazer chamadas de voz pelo WhatsApp. Apesar disso, toda a comunicação acontece dentro do aplicativo. A regulamentação do setor brasileiro de telecomunicações só considera um serviço como telefonia quando a chamada começa ou termina na rede pública, e o WhatsApp só permite fazer ligações entre seus usuários.

O site de humor Sensacionalista até publicou um texto com o título “Operadores de Teletrim estão forçando usuários a parar de mandar SMS pela Vivo”, lembrando dos antigos pagers, que saíram do mercado depois que os celulares passaram a ter mensagens de texto. 

Do jeito que está hoje, o WhatsApp é considerado um serviço de valor adicionado, e não está sujeito às regras das telecomunicações. Isso não quer dizer, no entanto, que ele não afete o mercado. Além de derrubar o tráfego de chamadas e de mensagens de texto, serviços como o WhatsApp têm sido responsáveis por uma queda no número de celulares em uso no País. Consumidores de renda menor, que tinham vários chips para aproveitar as promoções das operadoras, começaram a cancelar linhas, pois, com os aplicativos de mensagem, não dependem mais de quem oferece minutos mais baratos no mês.

O jornalista Daniel Castro noticiou que a Netflix deve faturar R$ 500 milhões neste ano no Brasil, mais do que Bandeirantes e RedeTV. O setor de TV por assinatura tem reclamado de concorrência desleal por parte da Netflix. A empresa de vídeos via internet não paga ICMS de 10% sobre o faturamento, cobrado da TV paga, e a taxa de R$ 3 mil por título em catálogo da Condecine.

Quanto mais regulamentado um mercado, maior a oportunidade de surgir um serviço via internet que o modifique completamente. Usar regulamentação para ganhar tempo pode ser uma estratégia legítima para os atores tradicionais se prepararem para a competição. Só que não dá para segurar para sempre e, se a tecnologia existe, o consumidor acaba achando uma saída.

DIGITAIS

Aquisição

A consultoria de tecnologia da informação Innovative fechou a compra da Portal Cloud Solutions, que desenvolve soluções digitais de comércio eletrônico, catálogos e leilões digitais e ensino via internet. “Esta nova unidade de negócios será responsável por 10% do faturamento da Innovative em até um ano”, afirma Rogério Brecha, sócio da Innovative. Antes da Innovative, Brecha foi sócio da CPM Braxis, além de ter comandado as operações brasileiras da Deloitte e da Ernst & Young. 

Desconto

A Enox On-Life Network opera Wi-Fi gratuito em 350 bares, restaurantes e academias de São Paulo e Rio. A empresa começou a oferecer desconto de R$ 30 para seus clientes usarem o Uber pela primeira vez. Para isso, é preciso digitar o “onlife” no campo “código promocional” do aplicativo. 

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