''Somos um Vaticano'', diz o prefeito da cidade

Em Águas de São Pedro não há um semáforo. As ruas são planas e para qualquer lado que se ande por mais de 20 minutos é possível ultrapassar os limites do município, de 3,9 km². Em qualquer direção, o caminhante se depara com São Pedro, a única cidade vizinha. "Somos um Vaticano", compara o prefeito Paulo Ronan, fazendo referência ao desenho da cidade, que surgiu de uma fazenda e foi totalmente planejada pelo seu fundador, o advogado Octávio Moura Andrade.

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2010 | 00h00

Quando são perguntados sobre como e por que foram parar ali, os moradores, a maioria forasteiros e idosos, gostam de se gabar. "Aqui não existem favelas nem mendigos", diz a aposentada Flora Dante, de 83 anos.

Em 70 anos, houve três assassinatos, garante o vereador Luiz Carlos Fonseca, que já foi delegado da região. Águas é a segunda menor cidade do País em território e, segundo os descendentes do fundador, a primeira totalmente planejada, antes mesmo de Brasília. Eles dizem também que a cidade tem a maior concentração de piscinas por habitante: praticamente cada casa tem a sua. A cidade tem 2 mil moradores e 1,6 mil automóveis.

Água sulfurosa. Boa parte das pessoas que se mudaram para Águas de São Pedro esteve na cidade antes para conhecer os benefícios da água sulfurosa. Foi o caso da funcionária aposentada da Justiça Federal, Lurdes Bicudo, de 52 anos. Ela vivia no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo, e passou um tempo na França antes de decidir se mudar para o interior. "Não queria luxo, mas tranquilidade", afirma.

Com o dinheiro da aposentadoria, Lurdes consegue se manter e ainda ajuda os filhos na capital. Às terças-feiras e quintas-feiras, dá aulas gratuitas de Lian Gong, ginástica terapêutica chinesa, a alguns idosos. É um dos eventos sociais da cidade.

O marido de Lurdes, Yves Blanchard, de 68 anos, é francês, aposentado da indústria química Rhodia e nunca tinha ouvido falar de Águas de São Pedro antes de morar lá. Seis anos depois, parece adaptado. Pediu para encerrar a entrevista porque tinha de jogar bocha - passatempo que costuma lhe preencher metade do dia.

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