TIM BASHAM
TIM BASHAM

'Somos uma companhia sem dívida e podemos nos alavancar'

Apesar de hoje ser favorável para buscar capital na Bolsa, esse momento ainda não chegou para a empresa

Entrevista com

Marco Stefanini

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2021 | 05h00

O momento para ser uma empresa de capital aberto ainda não chegou para a tradicional empresa brasileira de tecnologia Stefanini, mesmo que o céu esteja azul para as companhias do setor que queiram buscar recursos na Bolsa de Valores para se financiarem. Segundo o fundador e presidente da empresa, Marco Stefanini, muitas vezes uma empresa que fez sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) acaba perdendo o leme do negócio ao se focar apenas em aquisições, deixando de lado o crescimento orgânico. “É preciso ter foco em adquirir valor e isso não é só por aquisição.” 

A Stefanini, segundo ele, é uma empresa sem dívidas e por isso pode pensar em se alavancar para bancar mais crescimento. 

Como tem sido o desempenho da empresa na pandemia?

Tivemos um excelente ano. Crescemos 20% no ano passado, recuperando margem (rentabilidade). Agora para este ano as empresas estão buscando mais soluções digitais. As grandes e médias empresas são conservadoras e estavam namorando essas soluções há cerca de três anos. Agora, na pandemia, houve uma aceleração desse processo. Ano passado as empresas improvisaram muito, como o varejo fazendo vendas pelo whatsapp, por exemplo. Os grandes projetos de transformação digital nós deveremos ver a partir de agora. 

Um IPO faz sentido para a empresa? 

Faz todo o sentido, mas existe um conceito que eu falo que é para se tomar cuidado com o mercado de capitais. Tem muito dinheiro e tem empresas que acabam focando apenas em aquisições, mas elas precisam focar em adquirir valor e isso não é apenas por meio de aquisição.

E como tem sido a estratégia de crescimento da Stefanini? 

Um mix em que acreditamos muito é entre aquisições de empresas menores e crescimento orgânico. A organização e integração de uma aquisição é algo que toma muito tempo e tem um risco maior. Essa combinação traz um valor que consideramos ser bastante razoável. Somos uma empresa sem dívida e podemos nos alavancar.

Daria para detalhar a estratégia de crescimento da Stefanini?

Nos nossos primeiros anos crescemos muito organicamente. De 2010 a 2014 o componente de aquisições foi maior. De 2015 em frente temos feito um mix, com aquisições de empresas digitais menores para crescermos juntos. E a via do crescimento orgânico. Na nossa história fizemos em torno de 30 aquisições. 

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