Sondagem da CNI reforça as boas perspectivas

O índice de evolução da produção atingiu 50,5 pontos, acima da linha divisória que separa os campos negativo e positivo

O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2017 | 03h00

No que depende da indústria, a economia brasileira continua em recuperação e a tendência positiva vai persistir no ano que vem. Mais produção e menor ociosidade das máquinas, estoques ajustados e expectativas melhores marcaram a Sondagem Industrial de novembro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), distribuída há alguns dias. O levantamento mostra “continuidade da dinâmica de recuperação do setor”, segundo a entidade, e perspectivas muito mais “otimistas do que no final de 2016”.

O índice de evolução da produção atingiu 50,5 pontos, acima da linha divisória que separa os campos negativo e positivo. Foi o melhor resultado para novembro desde 2010, quando o indicador alcançou 52,7 pontos. No auge da recessão, em novembro de 2015, esse índice atingiu 40,9 pontos.

O uso da capacidade instalada avançou um ponto porcentual entre outubro e novembro, atingindo 68%, maior porcentual para o mês dos últimos três anos. O nível de estoques ficou próximo ao esperado pelas indústrias que responderam à pesquisa – 2.274 empresas foram ouvidas entre 1.º e 13 de dezembro.

As expectativas para o mês corrente também são positivas – isto é, superam os 50 pontos – no tocante à demanda, à quantidade exportada, compras de matéria-prima e intenção de investimento. O pior indicador diz respeito ao número de empregados, que acusou leve recuo em relação a dezembro e está em 48,7 pontos, no campo negativo, portanto.

As grandes empresas, com 250 empregados ou mais, são as que revelam maior disposição de investir (60,6 pontos), quase 14% mais do que há um ano. Há um contraste acentuado em relação às intenções de investimento das empresas de porte médio (48,2 pontos) e das pequenas empresas (39,4 pontos). A discrepância mostra as dificuldades enfrentadas pela maioria das companhias, que sofre com a falta de capital e não tem acesso ao crédito a juros módicos.

A sondagem da CNI confirma a tendência de a indústria – e, em especial, a indústria de transformação – liderar a retomada não só neste ano, como, provavelmente, também em 2018. Não se trata de um crescimento forte, mas, tudo indica, poderá ser sustentável graças ao aumento da demanda interna e externa. A expansão da indústria poderá ser ainda mais rápida se houver ganhos expressivos de produtividade.

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