Sonho de consumo vale três dias na fila

Doméstica está desde terça à espera da venda especial de sexta

Rose Mary de Souza, CAMPINAS, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2008 | 00h00

Uma geladeira dúplex. Esse é o sonho de consumo da empregada doméstica Sirlei Maria de Jesus, de 46 anos, a primeira a chegar - pelo quinto ano seguido - à fila para a liquidação da rede de lojas Magazine Luiza, em Campinas. Ela chegou às 19h20 de terça-feira. Como das outras vezes, trouxe uma cadeira confortável e muita paciência. Às 6 horas da sexta-feira serão abertas as portas da loja da Avenida Francisco Glicério, na esquina com o Calçadão da 13 de Maio, no centro de Campinas. Assim como nas quatro demais lojas da rede da cidade e nas outras 350 em todo o Brasil, com a promessa de 70% de desconto na mercadoria."Dependendo do preço, acho que vai dar para levar mais alguma coisa", avalia Sirlei. Sem desconto, o preço do produto ficaria em torno de R$ 1.600. "Se custar menos de R$ 1 mil, vou poder pegar um microondas também." Nas outras promoções da rede, Sirlei chegou bem mais cedo. Passou até o Natal e o réveillon com parentes na fila. Nas promoções anteriores ela conseguiu comprar violão, jogo de panelas, microondas, colchão, aparelho de som e um sofá. "Meu marido fica meio bravo mas eu não tenho filho pequeno, estou de férias e é muito bom pegar uma promoção."Depois de Sirlei, a dona de casa Regina Maria de Souza Martins, de 48 anos, ocupa o segundo lugar na fila. Regina chegou às 7 horas de ontem e reveza o lugar com sobrinhas e filhos. "Primeiro é preciso ver os preços. A minha lista tem uma geladeira de duas portas, uma máquina de lavar, um microondas e tudo o que estiver bem baratinho", diz. Enquanto os funcionários ainda colavam material publicitário na loja fechada, consumidores já se aproximavam para perguntar sobre os preços. Para garantir algum conforto, muitos levam colchonetes e cadeiras de armar. Para matar o tempo, crochê, jornais, palavras cruzadas, Bíblia, folhetos com ofertas das lojas concorrentes para comparar preços e muita conversa fiada.

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