FAMÍLIA BOLSONARO
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Sonho meu: Bolsonaro e filhos fogem do Brasil após impeachment

Venezuela foi o único país que concedeu asilo político à família; caí da cama, e o Botafogo não foi campeão

Elena Landau*, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 04h00

A CPI da Covid chegou ao fim. Um relatório devastador foi aprovado. O óbvio ficou registrado: todos os caminhos levam ao governo federal, seja pelo que fez, seja pelo que não fez. A tentativa da base governista de melar o jogo, ampliando o escopo da investigação, foi um tiro no pé.

Governadores que adotaram restrições econômicas foram aplaudidos pelos membros da comissão, enquanto os adeptos da cloroquina engrossam a lista de indiciados, junto com os ex-ministros da Saúde e das Relações Exteriores. Sobrou até para o ministro da Economia, pela falta de previsão de auxílio emergencial, mesmo diante do agravamento da pandemia no fim de 2020.

A liderança perversa do presidente durante a pandemia foi a tônica nas sessões. Pressionado, Pazuello repetia o mantra: “Como bom soldado, só cumpri ordens”.

Nesse clima, Lira não teve opção e deu início ao processo de impeachment de Bolsonaro. Difícil mesmo foi escolher um entre os quase 200 pedidos que estavam em sua gaveta. Ataques à democracia, que se tornaram mais frequentes e violentos ao longo da CPI, e crime continuado contra a saúde pública foram os escolhidos.

A queda vertiginosa da popularidade de Bolsonaro criou o ambiente que faltava. A última pesquisa mostra um porcentual de 80% para ruim e péssimo. A maré andava tão baixa que nem conseguiu emplacar seu fiel ex-ministro da Justiça no STF. Mendonça foi gongado na sabatina.

O afastamento de Bolsonaro já começa a dar resultados. A reforma ministerial foi completa. Com a demissão do general Braga Netto, foi retomada a tradição de escolher um civil para o Ministério da Defesa e a desmilitarização do governo foi iniciada. O ministro da Justiça nomeou novo superintendente da Polícia Federal e os mandantes do assassinato de Marielle foram, finalmente, presos.

Na política de segurança pública, o combate às drogas mudou e o uso recreativo da maconha foi liberado. Os decretos de flexibilização de posse e porte armas de Bolsonaro foram anulados. A queda da violência já começa a ser sentida. Com a volta do rastreamento de armas e munições, a deputada Carla Zambelli está respondendo ao Conselho de Ética. Parece que a tal pistola que ela orgulhosamente ostentava nas redes não tinha nota.

Sua colega Bia Kicis não teve destino melhor. Foi flagrada estimulando outro motim de policiais, o que não pegou nada bem para uma presidente de Comissão de Constituição e Justiça.

Salles e sua boiada são agora objeto de uma CPI. Será mais um a cair nos braços do Ministério Público. O documentário sobre Tom Jobim, com forte pegada ambiental, vai representar o Brasil entre os finalistas de melhor filme estrangeiro. As fronteiras do mundo vão se abrindo para nós. Com o dólar a R$ 4 está uma festa danada.

A ministra da Fazenda apresentou um plano econômico sem promessas mirabolantes. Com muita habilidade política, convenceu o Congresso a votar as reformas administrativa, que incluirá servidores atuais de todos os Poderes, e tributária, sem CPMF. A Cedae foi privatizada e tudo indica que teremos um verão sem geosmina. A Valec foi liquidada e a venda da Caixa, anunciada.

Já o ministro do Planejamento conseguiu que novo Orçamento fosse votado. Enquanto os efeitos da reforma administrativa e da nova rodada da reforma da Previdência, que acaba com categorias especiais e uniformiza as idades mínimas, não aparecem, parlamentares abriram mão de suas emendas. Os recursos foram, então, direcionados à ampliação da rede de proteção social.

A Lei de Responsabilidade Social foi aprovada, unificando as políticas sociais e concentrando os gastos na infância. Enfim, crianças vão se tornando prioridade no orçamento público, com efeitos intergeracionais promissores. Com população adulta sendo vacinada, nosso chanceler conseguiu importar da China imunizantes específicos para jovens e crianças.

O atraso na educação vai se recuperando. Em coordenação com secretários estaduais, o governo federal, com ajuda das operadoras, ampliou o acesso digital nas escolas públicas e zonas isoladas. Tabletes foram distribuídos. Com isso, agora é possível o acompanhamento remoto de programas da 1.ª infância e saúde em famílias vulneráveis. A campanha de distribuição de máscaras de qualidade é um sucesso. Aos poucos, a vida vai voltando ao que era, ainda que medidas de proteção continuem sendo necessárias.

Os partidos do centro se uniram em torno da Frente Liberal Progressista. Tasso ainda não aceitou formalmente ser candidato, mas uma coisa é certa: Eduardo Jorge será o vice. Com Bolsonaro fora do jogo, Lula acabou aceitando ser vice de Ciro, que, claro, recusou.

Para tudo!!! O plantão jornalístico informa que Jair Bolsonaro e os filhos fugiram do Brasil. A Venezuela foi o único país que concedeu asilo político à família.

Caí da cama. E o Botafogo não foi campeão. 

PS: Esta coluna é dedicada a Irene: “Há de haver algum lugar onde os sonhos são reais, e a vida não”.

ECONOMISTA E ADVOGADA 

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