Marcelo Camargo/ABr
Marcelo Camargo/ABr

Sonhos de consumo ficam mais distantes

Plano de saúde, faculdade, carro zero-quilômetro e até itens de alimentação e higiene pessoal tidos como supérfluos ficam mais pesados no bolso

Márcia de Chiara e Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2015 | 16h00

Com a recessão, o sonho de consumo da classe C, como ter plano de saúde, cursar faculdade, comprar o carro zero-quilômetro e até levar para casa itens de alimentação e higiene pessoal tidos como supérfluos, começou a ficar abalado.

De janeiro a agosto deste ano, 1,7 milhão de famílias deixou de comprar condicionador de cabelo em relação ao mesmo período de 2010. No caso da maionese, esse item foi cortado da lista de compras de 1,6 milhão de lares, nas mesmas bases de comparação. Os dados são da Kantar Worldpanel, empresa de pesquisa que visita semanalmente 11,3 mil famílias no País para descobrir o que os brasileiros estão consumindo.

“A primeira mudança no padrão de consumo ocorre nas despesas do dia a dia, nas quais as compras são feitas em dinheiro, como as de alimentação”, diz Myrian Lund, professora da FGV e planejadora financeira. Mas ela também observa alterações em outros segmentos, com em planos de saúde e educação.

Na área da saúde, os planos médico-hospitalares perderam 87,5 mil beneficiários de contratos individuais em setembro deste ano em relação ao mesmo mês de 2014, segundo o Instituto de Saúde Suplementar. Foi a primeira queda para o mês desde 2008.

Em 2015, o Fies, programa do governo federal que possibilitou o ingresso de muitos estudantes da classe média ao ensino superior, foi abocanhado pelo ajuste fiscal. As vagas foram reduzidas à metade: no ano passado, foram aprovados mais de 731 mil novos contratos; neste ano, serão aprovados em torno de 314 mil. 

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