Sony 'engaveta' filme e recebe críticas

Após ameaça de ataque hacker em razão de 'A Entrevista', estúdio de cinema decidiu cancelar estreia de paródia sobre a Coreia do Norte

PIYA SINHA-ROY, Reuters

19 Dezembro 2014 | 02h05

Diretores e atores de Hollywood protestaram energicamente ontem quando a Sony Pictures cancelou a exibição do filme The Interview, uma paródia sobre a Coreia do Norte, depois das ameaças de hackers que realizaram um maciço ataque ao estúdio cinematográfico.

Os atores Ben Stiller, Steve Carell, Rob Lowe, o âncora do programa de entrevistas Jimmy Kimmel e o cineasta Judd Apatow, todos amigos dos protagonistas do filme, Seth Rogen e James Franco, manifestaram-se contra a decisão dos cinemas e da Sony. Lowe, que tem uma pequena parte na película, tuitou: "Uau. Todo mundo cedeu. Os hackers ganharam. É uma vitória total para eles".

Sátira ousada, The Interview acompanha as peripécias de um infeliz âncora de TV (Franco) e de um produtor (Rogen) que marcam uma entrevista com o esquivo líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e são recrutados pela CIA para assassiná-lo.

A Sony Pictures cancelou o lançamento do filme no dia 25 de dezembro, quando as principais cadeias de cinemas dos EUA decidiram adiar sua exibição diante das ameaças de hackers, forçando uma mudança de planos inédita em se tratando de um importante lançamento cinematográfico.

Kimmel definiu a decisão numa postagem no Twitter como "um ato de covardia antiamericano que corrobora ações terroristas e estabelece um precedente assustador".

Stiller, que dirigiu e estrelou Zoolander em 2001, sobre um modelo masculino submetido a lavagem cerebral para assassinar um primeiro-ministro fictício da Malásia, disse que o cancelamento de The Interview é "uma ameaça à liberdade de expressão".

Carell, que estrelou várias comédias ao lado de Rogen, declarou: "É um dia triste para a expressão criativa".

Tanto Carell quanto Stiller tuitaram fotos de Charlie Chaplin parodiando Adolf Hitler no filme O Grande Ditador, de 1940.

Franco e Rogen, que dirigiram, produziram e escreveram The Interview com a parceria de Evan Goldberg, não fizeram nenhuma declaração.

Segundo uma fonte do governo americano, os investigadores determinaram que a Coreia do Norte estava por trás do ataque cibernético do mês passado ao estúdio da Sony, com o vazamento de documentos que foram destaque do noticiário. A possibilidade de envolvimento do Irã também está sendo considerada.

Uma cadeia de cinemas do Texas, Alamo Drafthouse, anunciou que pretende exibir The Interview, mesmo que outros cinemas o recusem.

Quando a Sony retirou o filme de sua programação, a cadeia disse que exibiria em seu cinema de Dallas-Fort Worth a comédia de bonecos Team America: Detonando o Mundo, de 2004, na qual uma força paramilitar americana tentava frustrar um complô pelo então líder norte-coreano Kim Jong Il.

A Sony disse que não tem planos para lançar The Interview em DVD, video-on-demand ou plataformas de streaming online, embora a ideia tenha o apoio dos fãs na mídia social.

Ameaça. O governo norte-americano declarou ontem que o ataque era um assunto sério de segurança nacional e que uma resposta proporcional estava sendo considerada. O comunicado, porém, não chegou a culpar a Coreia do Norte pelo ocorrido.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que ele não estava na posição de dizer se o país asiático era responsável, mas as investigações estavam "progredindo". Ele disse que o ataque era um exemplo de "atividade destrutiva com intenção maliciosa que foi perpetrado por uma fonte sofisticada".

Earnest disse que as lideranças da segurança nacional dos EUA "deveriam ter em mente o fato de que precisamos de uma resposta proporcional". Além disso, afirmou que estavam também cientes de que pessoas realizando tais ataques estão "frequentemente buscando provocar uma reação". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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