Sony ganharia mais vendendo seguros

Braço financeiro da empresa representou 63% do lucro operacional no ano passado, desbancando a venda de eletrônicos, que deu prejuízo

HIROKO TABUCHI, THE NEW YORK TIMES/ TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2013 | 02h08

A Sony é conhecida como fabricante de produtos eletrônicos como o videogame PlayStation e aparelhos de televisão. E tem contabilizado prejuízos em praticamente cada produto vendido pela marca.

A Sony registra lucros com a produção de filmes e com a venda de música. E é exatamente esta área lucrativa dos seus negócios que Daniel S. Loeb, investidor norte-americano e administrador do fundo de investimento Third Point, quer que seja desmembrada e se torne uma empresa independente, para levantar recursos e ressuscitar a divisão de eletrônicos.

Diante dessa pressão do investidor para a companhia dar nova vida às suas atividades na área dos eletrônicos, alguns analistas perguntam: Para quê? E insinuam que a Sony pode se sair melhor vendendo seguros. Ou simplesmente produzindo filmes e música. Mas não produtos eletrônicos.

Um novo informe do banco de investimentos Jefferies publicado esta semana faz uma avaliação rigorosa das operações da Sony na área de eletrônicos. "O braço da empresa ligado à eletrônica é o tendão de Aquiles da companhia e, na nossa opinião, equivale a zero", escreveu Atul Goyal, analista do banco. "Em nossa opinião, ela tem de se retirar de muitos mercados de produtos eletrônicos."

A fabricante que criou o Walkman e os televisores de tubo Triniton ficaria sem sua divisão de eletrônica? O que ela fará? Embora a Sony venda centenas de produtos diversos, como baterias e projetores 3D portáteis, a empresa também é a mais bem sucedida na área de seguros. O setor não é explorado pela Sony nos Estados Unidos e na Europa, mas a empresa contabiliza um enorme lucro vendendo apólices de seguros de vida, de carro e de saúde no Japão.

Seu braço financeiro representou 63% do lucro operacional total no ano passado. As operações com seguro de vida foram as que mais renderam financeiramente na última década, com um resultado de 933 bilhões de ienes (US$ 9,07 bilhões) de lucro operacional nos 10 anos encerrados em março.

As divisões de filmes e música - que produziram filmes de sucesso como Homem Aranha e A Hora mais Escura, além de gravações de músicos como o violoncelista Yo-Yo Ma ou o duo de música eletrônica Daft Punk - contribuíram para os resultados finais de US$ 7 bilhões na última década.

No mesmo período, a divisão de produtos eletrônicos da companhia registrou um prejuízo de US$ 8,5 bilhões.

"O problema é que o conselho da empresa está completamente focada em estabilizar a área de eletrônicos", disse Kouji Yamada, professor visitante da Universidade Hitotsubashi em Tóquio e diretor de pesquisa na Mission Value Partners, empresa de investimentos de Sonoma, Califórnia.

O presidente da Sony, Kazuo Hirai, declarou há uma semana que o conselho está analisando a proposta da Third Point, mas enfatizou que as discussões ainda estão no início e que não há uma data fixada para uma resposta.

Mas, para um pequeno grupo de analistas, a solução recomendada por David Loeb reflete uma visão muito distorcida do futuro, simplesmente jogando o dinheiro de divisões lucrativas em operações ruins.

Como prova do futuro insustentável da divisão de produtos eletrônicos da Sony, os críticos apontam para seus televisores e smartphones. A competição é intensa e a empresa tem um papel secundário na área dos celulares. Mesmo nos setores em que se sai melhor, das câmeras digitais e videogames, a Sony luta para se manter no mesmo patamar de empresas maiores.

Kazuo Hirai defende que a empresa continue a manter o foco nos produtos eletrônicos. "As operações têm futuro. E este é o DNA da Sony", disse ele em uma apresentação corporativa. "E a minha missão é reviver essa divisão." / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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