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Sony paga 1 bi e passa a ter 100% da Sony Ericsson

Grupo japonês pretende integrar smartphones produzidos pela joint venture a seus outros produtos, como tablets e videogames

MALIN RISING, ASSOCIATED PRESS / ESTOCOLMO , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h07

A japonesa Sony e a sueca Ericsson anunciaram ontem que vão seguir rumos separados, com a venda da participação de 50% da Ericsson na fabricante de celulares Sony Ericsson ao grupo japonês por 1,05 bilhão.

A Sony Ericsson passará a ser uma subsidiária totalmente da Sony e integrada à plataforma que unifica os produtos eletrônicos conectados à rede da empresa japonesa. A transação confere à Sony uma oportunidade de integrar seus smartphones aos dispositivos eletrônicos vendidos ao consumidor, como tablets, TVs e computadores pessoais, disseram as duas empresas.

A jogada já era esperada pela maioria dos analistas, que defendiam que a Sony Ericsson poderia se tornar mais competitiva no difícil mercado dos smartphones se fosse comandada exclusivamente pela Sony.

"Acredito que isso melhora as perspectivas para a Sony Ericsson, porque a Sony poderá assumir toda a responsabilidade pela empresa e usar os recursos únicos que só ela tem", disse Greger Johansson, analista da firma de pesquisas Redeye. Johansson disse que o mercado dos smartphones é "dificílimo" e os concorrentes da Sony Ericsson também estão se desenvolvendo rapidamente.

Para o analista, o preço pago à Ericsson não foi tão bom quanto se esperava, mas a empresa sueca ficará aliviada ao poder se concentrar na sua atividade principal - os equipamentos de rede sem fio -, livrando-se da fabricação de celulares que estava ocupando boa parte do tempo da equipe administrativa.

União. Ericsson e Sony combinaram seus pouco lucrativos empreendimentos telefônicos, transformando-os na joint venture Sony Ericsson, em 2001, e desfrutaram de alguns sucessos iniciais com seus celulares Walkman e Cyber-shot. Nos últimos anos a empresa sofreu com o cenário de concorrência acirrada no mercado de smartphones e, no início do mês, relatou um resultado sem lucros nem perdas relativo ao terceiro trimestre.

A empresa adotou o sistema operacional Google Android para seus smartphones em 2008, e diz agora controlar cerca de 11% do mercado de smartphones da plataforma Android. Seus smartphones Xperia, equipados com o Android, respondem por mais de 80% das vendas da empresa.

O negócio anunciado ontem proporcionará à Sony um acordo de licenciamento cruzado da propriedade intelectual, cobrindo todos os produtos e serviços da Sony, bem como a propriedade de cinco famílias essenciais de patentes relacionadas à tecnologia de telefonia sem fio.

"Podemos oferecer mais rapidamente ao consumidor uma maior variedade de smartphones, laptops, tablets e televisores conectados uns aos outros, abrindo assim as portas para novos mundos de entretenimento online", disse o presidente da Sony, Howard Stringer, acrescentando que isso inclui as redes PlayStation Network, de jogos, e Sony Entertainment Network, provedora online de música, jogos e vídeo.

Stringer chamou o acordo de "última peça do quebra-cabeça" do portfólio de produtos de entretenimento da Sony, que inclui filmes, programas de TV e música, e disse que não foi por acaso que a decisão foi anunciada no mesmo mês do lançamento da Sony Entertainment Network. Ele reconheceu que o acordo foi parcialmente motivado pela concorrência no ramo dos smartphones.

"Apesar de termos muito espaço a recuperar, também temos muito a acrescentar a este celular", disse Stringer. "A televisão, ou seja o que for que acrescentemos a este celular e a outros produtos da Sony, é o início de algo que me parece bastante mágico." Stringer disse que o nome da marca dos celulares será provavelmente mudado no futuro, mas, no curto prazo, continuará sendo Sony Ericsson. Ele acrescentou que a aquisição vai conferir à Sony vantagens operacionais na eficiência da engenharia, no desenvolvimento da conectividade em rede e no marketing.

A transação está sujeita às condições de encerramento habituais, incluindo a aprovação das autoridades reguladoras, mas foi aprovada por órgãos decisórios de ambas as empresas.

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