Sony se reestrutura para fugir da crise

Empresa perde mercado e terá primeiro prejuízo em 14 anos

THE NEW YORK TIMES e AP, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

Para tentar superar a crise, a Sony anunciou ontem uma grande reorganização. O diretor executivo da companhia, Howard Stringer, vai acumular o cargo de presidente, que estava nas mãos de Ryoji Chubachi, concentrando mais poder para enfrentar os problemas da gigante dos eletrônicos. A Sony também informou que vai reorganizar suas divisões de eletrônicos e jogos, para integrar melhor suas operações.Stringer, que se tornou em 2005 o primeiro estrangeiro a comandar a companhia japonesa, afirmou que a Sony enfrenta dois desafios distintos. "O primeiro é a desaceleração global, que nos força a fazer ajustes importantes. O segundo desafio é a evolução de nosso ambiente competitivo. Novos competidores estão aparecendo de toda a parte", afirmou o executivo de 67 anos, que também ocupa a presidência do conselho.Nos últimos tempos, a Sony tem enfrentado declínio na sua participação de mercado. O PS3 está em terceiro lugar entre os videogames, atrás do Wii, da Nintendo, e do Xbox 360, da Microsoft. O PS2, versão anterior do console, foi líder de mercado. A demanda por televisores de LCD tem ficado abaixo das expectativas e a venda de leitores de discos Blu-Ray enfrenta a concorrência crescente do vídeo via internet, que começa a incorporar ofertas de alta definição.Kazuo Hirai, diretor da unidade de videogames da Sony, irá comandar um novo grupo de negócios que reunirá as divisões de jogos eletrônicos, microcomputadores, eletrônicos móveis e software. Stringer tem reclamado que as áreas não trabalham próximas o bastante. O anúncio acontece um mês depois de a Sony ter anunciado que irá registrar o seu primeiro prejuízo anual em 14 anos, com perdas que devem chegar a US$ 2,7 bilhões no ano fiscal que se encerra em 31 de março. As causas são a queda na demanda mundial e a força do iene frente ao dólar, que torna os produtos da empresa mais caros na exportação, que responde por 80% das vendas. A empresa também anunciou que irá eliminar 16 mil empregos em todo o mundo e fechar até seis de suas 57 fábricas.As mudanças na direção da empresa, anunciadas ontem, podem ser um bom sinal do comprometimento da Sony em se tornar uma empresa mais ágil, segundo o analista Nobuo Kurahashi, da Mizuho Investors Securities. "É um sinal positivo de como a Sony está se movendo freneticamente na direção da mudança, o que inclui mudanças estruturais especialmente em suas operações de TV e outros eletrônicos."Apesar disso, Kurahashi acrescentou que, diante da desaceleração global, o futuro ainda é incerto para a Sony. Mas ele acredita que Stringer, não sendo japonês, será capaz de tomar decisões mais rápidas que um dirigente tipicamente japonês, que costuma ser mais burocrático e buscar consenso no grupo, o que leva tempo.A Sony enfrenta problemas sérios em sua divisão de eletrônicos, que perdeu, nos últimos anos, posição para a Sharp em televisores de tela plana e para o iPod, da Apple, em tocadores portáteis de música. A Sony já liderou esse mercado com o Walkman. Operações sem relação com sua divisão principal de eletrônicos, como a de banco via internet, também têm desviado a atenção da direção da empresa.Outras empresas japonesas anunciaram recentemente mudança de comando. A Toyota, que previu seu primeiro prejuízo anual desde 1950, apontou Akio Toyoda, neto do fundador, como novo presidente. No começo da semana, a Honda escolheu Takanobu Ito, um engenheiro que fez carreira em pesquisa e desenvolvimento, como seu novo presidente e diretor executivo.

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