Soros desconhece realidade brasileira, diz Setubal

O megainvestidor George Soros mostra desconhecimento da realidade econômica brasileira ao declarar que o País tem alta probabilidade de ser obrigado a promover uma reestruturação de sua dívida. A opinião é do presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, que enviou hoje comentário sobre as declarações de Soros a pedido da Agência Estado. "Pelas suas declarações, é visível que o senhor Soros não conhece nem a situação do balanço de pagamentos (que em 2003 deverá ter superávit superior a US$ 15 bilhões), nem a dinâmica da dívida interna, que é perfeitamente administrável, mantendo-se o nível de superávit primário", afirmou."É importante observar que os dois candidatos à Presidência da República já declararam seus compromissos com este superávit fiscal. Acredito que, com esse compromisso fiscal, o apoio do FMI e uma administração racional das contas públicas a situação é perfeitamente administrável", acrescentou. Soros fez as declarações sobre a economia brasileira ontem em palestra na London School of Economics.Ele disse que o Brasil tem mais de 50% de chances de ser forçado a reorganizar a sua dívida e seria obrigado a adotar o controle de capitais neste processo de reestruturação e que somente um "milagre" faria com que o prêmio de risco do País caísse para a faixa dos 10%. Uma teleconferência realizada hoje por um grande banco europeu com suas filiais chegou à conclusão de que as afirmações do megainvestidor tiveram efeitos negativos sobre praticamente todos os mercados latinos, inclusive Chile e Venezuela.

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