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Soterrados por plásticos

A verdade dura e cruel é que não há solução prática para se livrar do tanto de resíduos plásticos descartados

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2020 | 19h00

Um ano após a abolição dos canudinhos, na semana passada o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, estendeu o banimento a copos e pratos de plástico.

Essa providência foi comemorada pelos defensores do meio ambiente pela capacidade da legislação de criar na população a consciência de que é preciso cuidar da saúde do Planeta. Mas a medida continua tímida diante do tamanho do problema. No ano passado, dos cerca de 3,7 milhões de toneladas de lixo domiciliar recolhido em São Paulo, 635 mil toneladas (ou 17%) foram de plásticos de todo tipo.

Na última quarta-feira, o diário londrino The Guardian publicou matéria em que defende mais do que a simples reciclagem para atacar as montanhas de lixo plástico. Esse texto denuncia o impressionante despejo desses resíduos. A produção mundial é de 359 milhões de toneladas de plásticos, número que só cresce a cada ano (ver o gráfico). Não há informações confiáveis sobre quanto dessa montanha é reciclável. Mas a maior parte vai mesmo para o lixo ou é queimada em fornos especiais.

A matéria do Guardian põe foco na vastidão dos brinquedos de plástico, a começar pelos produtos da Lego, alguns deles compostos de mais de 500 pequenas peças, que uma ou outra criança se ocupa em montar uma única vez na vida. Mas poderia acrescentar as bonecas Barbie e suas variantes e os demais brinquedos que vão se amontoando em caixas, baús e armários, de onde são descartados um ou dois anos depois para dar lugar a outros brinquedos de plástico, que mais tarde também serão descartados.

Todos os dias, qualquer pessoa é obrigada a se livrar de uma profusão de resíduos plásticos, especialmente embalagens que, uma após a outra, recobrem outras embalagens de plástico, como anéis de cebola. A montanha de materiais, dos quais apenas uma fração acaba sendo reciclada, se estende a miríades de produtos, como garrafas PET, invólucros Tetra Pak, copinhos de iogurte, sandálias havaianas, preservativos, bisnagas de dentifrício ou de cosméticos e por aí vai.

Estimular a reciclagem é iniciativa bem-vinda que, no entanto, esbarra em complicações práticas, não só porque é difícil levar a população a distinguir entre recicláveis e não recicláveis, mas, também, porque, no Brasil, os serviços de reciclagem de plásticos são precários e pouco eficazes.

Substituir essas embalagens por equivalentes de cartolina e de vidro resolve apenas um pedaço do problema, porque esses materiais também têm seu custo ambiental.

Outra opção que vem sendo tentada por minorias mais esclarecidas, também defendida pelo Guardian, é reduzir substancialmente o desperdício, mas, também, o consumo geral, especialmente o de supérfluos.

Decididamente, essa não parece ser saída para um país de uma população majoritariamente pobre, subnutrida e de baixo consumo como o Brasil, onde a compra de supérfluos ainda pode ser considerada marginal.

A verdade dura e cruel é a de que o mundo está cada vez mais soterrado em lixo plástico, sem que se tenha encontrado solução prática para isso. 

CONFIRA

» Avanço pequeno, mas avanço

Apesar dos números decepcionantes de novembro sobre produção industrial, vendas do varejo e serviços, a atividade econômica geral mostrou avanço pequeno, de 0,18% (sobre dezembro), como apontou o Índice da Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Medido assim, o avanço do PIB no ano se aproxima de 1,0%. É um resultado que pode levar o BC a cortar mais uma vez os juros na reunião do Copom de fevereiro, mais provavelmente em 0,25 ponto porcentual, para 4,25% ao ano. 

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