PAULO WHITAKER | REUTERS
PAULO WHITAKER | REUTERS

‘Sou melhor sonhador do que executor’, diz Lemann

Maior fortuna do Brasil, Lemann diz que sua sorte foi se cercar de pessoas que sabiam fazer

Cátia Luz e Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 08h32

SÃO PAULO - Dono da maior fortuna do Brasil, Jorge Paulo Lemann ficou conhecido pela obsessão por “sonhar grande”. “Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho”, costuma repetir o empresário.

A frase virou quase mantra para quem admira a trajetória de Lemann, que, juntamente com Beto Sicupira e Marcel Telles, criou o maior império do capitalismo brasileiro – com participação em negócios como a maior cervejaria do mundo, a AB InBev, a rede de fast-food Burger King e a empresa de alimentos Heinz.

No entanto, em evento ontem que marcou os 25 anos da Fundação Estudar (instituição que ele e os sócios criaram para financiar o estudo de jovens talentos), Lemann fez questão de ressaltar a importância da execução nos negócios.

“Sou mais sonhador que executor, mas sou o primeiro a reconhecer que só ficar sonhando não adianta”, disse, ressaltando que teve a sorte de encontrar “o Marcel e o Beto, que são melhores executores”.

Para frisar a importância de quem toca a operação, o empresário falou de Eike Batista. “Ele é um sonhador e já está pensando em 10 mil projetos para ganhar bilhões. É um espetáculo em empreender. Mas não teve as pessoas que eu tive em volta para fazer as coisas.”

Em um clima descontraído (o evento foi transmitido ao vivo na internet), Lemann falou do momento atual do Brasil. Para ele, há uma oportunidade agora para que os jovens ingressem na política. “Passei a vida toda fugindo de política. E acho errado. Os jovens que têm vocação têm de agarrar a oportunidade. É isso que fará diferença.”

Para o empresário, o País precisa de uma classe política mais pragmática e com mais bom senso. Ele defendeu que o setor público trabalhe com práticas que fizeram o sucesso de suas empresas, como a meritocracia.

Questionado sobre o que teria feito de diferente, ele admitiu que demorou para ter uma visão de longo prazo. “Se tivesse aprendido isso antes, teria feito mais.”

O evento teve ainda palestras do publicitário Nizan Guanaes, do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de Maria Silvia Bastos, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Em sua fala, Maria Silvia disse lamentar a falta de planejamento das políticas públicas no Brasil. “Distração faz parte da vida. Você combate isso com planejamento. Eu me ressinto pelo fato do nosso país não saber onde quer estar em cinco, dez anos.”

A executiva disse ainda não acreditar que a mudança necessária venha do governo. “A corrupção só vai acabar quando a sociedade se tornar intolerante.” 

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