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'Sou um produto de tudo pelo que passei'

Líder de empresa marketing online afirma que a atitude frente aos problemas pode tornar alguém um profissional brilhante, ou não

Entrevista com

CLÁUDIO MARQUES, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h08

Economista graduado pela PUC com mestrado no Bason College, nos Estados Unidos, José Geraldo Coscelli, de 43 anos, começou sua carreira no BankBoston na área de comércio exterior. Depois, foi direto para a mesa de operações. "Era o que eu havia sonhado desde os tempos da faculdade, trabalhar com mercado de valor, mercado de renda fixa, variável, com o mercado financeiro mesmo, como operador", conta. Na instituição, aprendeu, como ele diz, a vida corporativa, a lidar com multinacional e a se relacionar de fato com o mercado. Depois de cinco anos, transferiu-se para a Bloomberg, a fim de atuar na área comercial, o que lhe abriu as portas para iniciar sua atuação internacional.

Em seguida, passou por uma experiência difícil, mas enriquecedora, segundo ele: foi fazer o startup de uma empresa argentina de internet no Brasil, a Plazavertical.com. Mas era o fim da bolha da web e, cinco meses depois de aberta, a organização fechou sua operação no Brasil. Passada essa fase, foi para Siemens atuar numa nova área: telecom. O setor em que atuava virou uma empresa da Siemens, que tempos depois foi vendida para a BenQ. Em seguida, Coscelli entrou como sócio da Dedalus, uma empresa nacional de TI. Saiu da companhia depois que uma fusão com outras organizações do ramo se frustrou. Voltou a ser executivo na Globalweb, exercendo o cargo de diretor de operações. A etapa seguinte de sua carreira foi Reach Local, onde está há um ano comandando essa empresa de marketing digital. A seguir, trechos da entrevista.

Que tipo de desafio representa para um CEO com uma carreira já consolidada ir para uma empresa nova no Brasil?

Representa muito. Na verdade, quando aparece esse tipo de oportunidade na vida de um executivo, existe primeiro uma análise muito profunda do que tem de ser feito. E quanto mais experiência você tem já em posição de destaque em empresas, mais profunda tende a ser a sua análise, porque você tem mais experiência nos problemas. Como resultado dessa análise, eu vi que estava na minha frente uma empresa muito moderna em relação à gestão de pessoas, de negócio, de clientes, uma empresa da nova economia, a internet, muito sólida, com ações negociadas na bolsa de valores, na Nasdaq. Também um histórico de ação de certa maneira muito interessante, alguns tópicos de governança corporativa muito bem aprofundados, e com a estratégia de "abrir a América Latina" começando do Brasil, o que é algo muito desafiador e muito correlacionado com meu histórico e com minha carreira. Achei que era um casamento muito bom com esse desafio de começar no Brasil, e ir para a América Latina, e de ser uma empresa de internet, começando o negócio do zero. É você empreender não sendo o dono, mas quase. Todos esses fatores me deixaram muito entusiasmado e, consequentemente, viraram o meu desafio.

Sua carreira teve um trajeto de muito aprendizado?

Ah, muito aprendizado. Eu brinco dizendo que sou um produto de tudo que eu passei, pois não conseguiria exercer tão amplamente a posição que tenho hoje, se não tivesse passado por todas as fases da minha vida profissional desde o BankBoston. Por exemplo, quando fizemos os fechamentos de câmbio para a integralização do capital aqui no País da Reach Local, eu peguei o telefone liguei para a mesa de operação do banco, negociei taxa - foi uma experiência, uma facilidade, que aprendi no Bank Boston. A minha época de empreendedor da Dedalus me deu conhecimento da parte contábil, da jurídica, da financeira de uma empresa, que eu pude trazer para cá. O startup comercial da Reach Local também só pôde ser feito graças a minha bagagem da área comercial obtida tanto na Bloomberg quanto na Siemens, e toda nossa projeção latino-americana também está sendo feita baseada no conhecimento que eu tive de América do Sul.

Então, você está se sentindo entusiasmado?

Estou muito satisfeito, contente, motivado, porque eu estou colocando para fora tudo aquilo que consegui aprender, desenvolver, na minha carreira.

Em todo seu trajeto, o maior arrependimento foi ter ido para a empresa argentina que logo depois fechou?

Na verdade, fiquei muito chateado, porque entrei, contratei pessoas, e depois de alguns meses eu tive de demiti-las, inclusive eu mesmo, já que a empresa estava sendo fechada. Mas a experiência que se ganha por passar por isso vale, no longo prazo. Eu passaria por isso de novo. É muito interessante passar por isso. Também faz parte do meu perfil.

Como?

Eu encaro problemas como desafio, encaro problemas como oportunidade, encaro passagens na vida que poderiam ser vistas como derrotas como aprendizado que eu posso levar para a frente. Isso não é conversinha, é verdade. Na minha casa, com meus filhos, na minha vida, com minha família e profissionalmente. Então, foi um momento difícil, mas passaria de novo por ele em razão do aprendizado que tive.

Qual foi a maior lição da época de empreendedor?

Eu acho que para empreender com capital próprio precisa de muito lastro, porque podem acontecer problemas, e se não houver lastro você pode ir para um endividamento difícil de sair. Acho que isso foi o grande aprendizado. Outro grande conhecimento (adquirido) foi a vida com sócios. É muito diferente a vida com executivos e a com sócios. Com executivos você tende a ser sempre muito mais profissional do que pessoal. Entre sócios, é o contrário. É uma relação diferente, nem melhor nem pior, com a qual tem de aprender a lidar. Às vezes, numa empresa em que você tem um sócio, você tem de entrar em acordo para fazer uma coisa que é óbvia profissionalmente, mas pessoalmente para um dos sócios não é. Então, é preciso convencê-lo de forma diferente do que a um board de diretores, a um presidente, um vice, ou um executivo de uma empresa.

Quais são as dicas que você pode dar para quem quer seguir carreira executiva?

Acho que são duas coisas muito claras. Primeiro, atitude. Ela diz tudo de um ser humano. Uma atitude positiva, proativa, de bem-estar para com as pessoas, é muito interessante. Existe o profissional que escuta uma coisa, vai, pensa e faz. Mas também há o que escuta uma coisa, pensa em cima, dá uma nova ideia, realiza e lhe traz (o resultado) querendo mais. Essa atitude de querer mais, de cruzar a ponte, de trazer mais resultados, de buscar mais coisas novas, de entender que todo problema tem um desafio, é positiva. Se você tem uma atitude positiva para lidar com seus problemas, possivelmente vai ter muito mais oportunidades do que problemas para resolver.

E a negativa?

Se tem atitude negativa, do tipo 'ai meu Deus, mais um problema', vai ter muito menos oportunidade e muito mais problemas. Então, eu digo que atitude é fundamental e a forma como você encara os seus problemas faz de você um profissional brilhante, ou não.

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