Sozinhos, emergentes não podem ser 'motor da economia mundial', diz Dilma no 'FT'

Em artigo assinado, presidente critica 'falta de senso comum' de desenvolvidos que promovem câmbio desvalorizado.

BBC Brasil, BBC

22 de setembro de 2011 | 07h06

O jornal britânico "Financial Times" traz em sua versão online nesta quinta-feira um artigo assinado pela presidente Dilma Rousseff, que sustenta que os países emergentes "não podem assumir o papel de locomotiva global" sem a ajuda dos países ricos.

Sob o título "Brasil combaterá os manipuladores de moedas", a presidente crítica as medidas de afrouxamento monetário tomadas por países ricos que, para resgatar suas economias em meio à crise econômica global, recorrem a taxas de câmbio desvalorizadas "sem levar em conta a noção de bem coletivo".

"Esta onda de desvalorizações competitivas cria um ciclo vicioso que leva ao protecionismo comercial e cambial", afirma Dilma. "Isto tem efeitos devastadores para todos, mas especialmente para as nações desenvolvidas."

Como resposta, escreve a presidente, "países em desenvolvimento que adotam um câmbio flutuante, como o Brasil, são forçados a tomar medidas de precaução para proteger suas economias e suas moedas".

O artigo conclama os países ricos a dar "sinais claros de coesão política e coordenação macroeconómica", "se quiserem superar a crise".

"É urgente combater o protecionismo e todas as formas de manipulação cambial, que resulta em uma competitividade espúria às custas de parceiros comerciais", diz o artigo.

"O G20 (grupo que reúne as principais nações industrializadas e emergentes) pode oferecer uma resposta coordenada, na qual todas as grandes economias possam ajustar suas políticas fiscal, monetária e/ou cambial, sem medo de agir de forma isolada." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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