Fernando Sciarra/Estadão
Fernando Sciarra/Estadão

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

SP registra deflação após três anos e meio

Recuo de 0,14% do Índice de Preços ao Consumidor surpreendeu até os economistas da Fipe; foi a primeira queda no indicador desde março de 2013

Márcia De Chiara, Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 22h38

O custo de vida na cidade de São Paulo registrou em setembro a primeira deflação em mais de três anos. Beneficiado pela queda nos preços dos alimentos, especialmente do feijão e do leite, no mês passado o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) recuou 0,14%. Foi o desempenho mais baixo do indicador desde março de 2013, quando a deflação havia sido de 0,17%. “O resultado surpreendeu e é um ótimo sinal”, disse o economista André Chagas, coordenador do IPC-Fipe.

A deflação do IPC-Fipe reforça as indicações dadas pela prévia da inflação oficial, o Índice de Preços ao Consumidor–15, de que a inflação final de setembro, a ser conhecida na sexta-feira, será menor do que a inicialmente prevista. No início do mês passado, o mercado projetava que o IPCA de setembro teria um avanço de 0,35%, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central (BC). Após o resultado abaixo do previsto do IPCA-15 de setembro, as projeções para o mês foram reduzidas para algo em torno de 0,15%. Em agosto, o IPCA subiu 0,44%.

Com a inflação menor do que a inicialmente prevista, analistas acreditam que, o BC terá condições objetivas para começar a reduzir os juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para este mês. O obstáculo ao corte nos juros, no entanto, é o avanço na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita os gastos públicos.

“A taxa de juros está exagerada”, afirmou o economista Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP e um dos maiores especialistas em inflação, Ele defende um corte de 0,5 ponto porcentual.

Heron considera que as condições para redução dos juros estão dadas, como a devolução da alta dos preços dos alimentos, a menor pressão do câmbio e os efeitos da recessão e do desemprego sobre o consumo. Pelo resultado do IPC-Fipe de setembro, ele considera a possibilidade de que o IPCA-15 de outubro possa registrar deflação. A pendência que existe em relação ao corte dos juros, segundo ele, seria a aprovação da PEC.

Fabio Romão, economista da LCA Consultores, concorda com Heron. Para ele, do ponto de vista da inflação, o corte nos juros já poderia começar este mês. Mas ponderou que há incertezas em relação aos avanços no corte de gastos públicos.

Alimentos. No mês passado, a deflação de 1,09% dos preços dos alimentos foi determinante para a queda do IPC – Fipe, segundo Chagas, coordenador do índice. Ele observou que, em setembro, houve a queda mais acentuada nos preços do grupo alimentação desde junho de 2006, quando o recuo havia sido de 1,36% para esse grupo.

Um dos vilões da inflação dos últimos meses, o preço do leite caiu 11,75% em setembro no IPC-Fipe e o feijão, o outro vilão, recuou 5,58%.

“O que está acontecendo hoje é o fim do efeito do El Niño nos preços dos alimentos”, disse Heron. Isso deve melhorar o desempenho da inflação. O grupo alimentação responde por 25% do IPCA. Romão, por exemplo, espera um IPCA de 0,14% para setembro e prevê que o grupo alimentação recue 0,30%. Outro grupo que também deve registrar deflação em setembro, segundo o economista, é transportes, com queda de 0,16%, beneficiado pelo recuo do etanol e da gasolina.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.