SP tem deficiência de mão-de-obra

Estudo mostra que 42% da população ativa no Estado é analfabeta ou não concluiu o ensino fundamental

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

No Estado mais rico do País, a falta de treinamento profissional não é o único problema para a escassez de mão-de-obra especializada. Pesquisa divulgada ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) revelou que 42% da População Economicamente Ativa (PEA) do Estado de São Paulo, com idade entre 15 e 65 anos, é analfabeta ou não completou o ensino fundamental.A ausência do ensino básico é maior nas faixas de idade mais elevada. Na faixa etária de 45 a 59 anos, por exemplo, chega a 54%, ante 20,5% na de 15 a 29 anos. "O estudo nos trouxe a revelação de que precisamos nos preocupar muito com a qualificação, com reforço do ensino básico para a população mais madura", disse o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos. A pesquisa da Seade foi encomendada pela secretaria do Trabalho para servir de subsídio para a elaboração do Programa Estadual de Qualificação Profissional, que deverá ser colocado em prática ainda neste ano.A necessidade de contratar profissionais experientes, que estão em falta no mercado, tem levado um número cada vez maior de empresas a recorrer a funcionários aposentados. Outra alternativa tem sido a contratação de profissionais recém-formados, sem experiência profissional, mas com boa formação acadêmica.Nesse contexto, os desempregados com idade avançada enfrentam sérias dificuldades para encontrar uma nova colocação no mercado de trabalho.Para Afif, a falta de ensino fundamental é sinônimo de desemprego."O desemprego hoje é dos mais velhos, em profissões muito simples, e a grande dificuldade é que boa parte deles não sabe ler, escrever e fazer contas direito", disse o secretário. "O que está se busca hoje é mão-de-obra qualificada para construção civil, limpeza e conservação e serviços domésticos".Para suprir essa deficiência, os cursos de qualificação do Estado vão incluir conteúdos que reforcem conhecimentos que deveriam ter sido adquiridos no ensino básico. "Se o curso tiver 200 horas, pelo menos 120 horas serão de ensino básico", disse AfifO levantamento da Fundação Seade mostrou que a construção civil foi o setor que mais demandou mão-de-obra no Estado de São Paulo, com crescimento de 18,3% no número de vagas com carteira assinada. Em seguida estão comércio (7,1%), indústria (6,1%) e serviços (4,9%). A agropecuária, praticamente não evoluiu, com ligeiro crescimento de 0,6% na criação de novas vagas.Entre os homens, as ocupações com maior expansão de postos de trabalho foram serventes de obras (24,5%), alimentador de linha de produção (22,9%) e faxineiro (13,9%). No caso feminino, as ocupações com melhor desempenho foram alimentador de linha de produção (19,2%), operador de telemarketing (14,5%) e atendente de lanchonete (12,4%).A meta do governo paulista é qualificar 30 mil trabalhadores este ano, 60 mil no ano que vem e 90 mil em 2010. O número deverá ser elevado para 180 mil qualificações por ano, o que corresponde à demanda atual, equivalente a 1% da PEA.A idéia é trabalhar em conjunto com entidades que já atuam na área e têm infra-estrutura instalada e corpo técnico pronto. Para qualificar 30 mil trabalhadores em 2008, a previsão é de gasto ao redor de R$ 30 milhões. NÚMEROS42%da mão-de-obra do Estado de SP com idade entre 15 e 65 anos é analfabeta ou não concluiu o ensino básico54%da mão-de-obra paulista na faixa etária de 45 a 59 anos não têm o ensino básico completo18,3%Foi o crescimento no número de vagas com carteira assinada na construção civil em São Paulo30 miltrabalhadores deverão receber treinamento profissional no Estado neste ano

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