SP tem queda forte na população ocupada em março

A taxa de desemprego recuou de 6,5% em fevereiro para 6,3% em março na região metropolitana de São Paulo, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a queda na desocupação foi puxada pelo aumento da inatividade, uma vez que, no período, houve redução de 1,3% na população ocupada, o equivalente à dispensa de 127 mil trabalhadores. O setor que mais cortou postos de trabalho na região foi a indústria, que eliminou 93 mil vagas.

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

25 de abril de 2013 | 12h33

"Houve redução forte na população ocupada em São Paulo. Esse dado não é esperado. A região começa a dispensa de temporários em fevereiro, porque carnaval não retém trabalhadores", lembrou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

São Paulo registrou recuo tanto na população ocupada como na população desocupada (-4,4%, 30 mil pessoas a menos em busca de emprego) e, desse modo, sustentou a diminuição na taxa de desemprego na região na passagem de fevereiro para março. "A queda na população ocupada em São Paulo não se reverteu em desocupação, porque ela foi para a inatividade. A gente precisa aguardar a próxima pesquisa, do primeiro mês do segundo trimestre, onde pode ter um quadro de recuperação na economia com contratação de trabalhadores", ponderou Azeredo.

A região responde por cerca de 40% da pesquisa. Dentro da região, a indústria tem peso importante na contratação de mão de obra, por isso a redução de 93 mil postos de trabalho no setor em março impactou o resultado final. "Em São Paulo, foi a indústria que mais dispensou agora no mês de março. É um setor expressivo. Então não é um resultado favorável, visto que já se espera, no final do primeiro trimestre e início do segundo trimestre, uma reação da indústria de se organizar no sentido de que não haja contratações, mas que também não haja perda de vagas", explicou o coordenador do IBGE.

São Paulo foi a única região metropolitana a registrar queda expressiva na população ocupada em março. O movimento contrariou um comportamento sazonal registrado pela pesquisa, de dispensa de trabalhadores temporários em janeiro, mas ligeira recuperação nos meses seguintes. Em 2013, o mercado de trabalho paulista registrou redução de 1,3% no número de ocupados em janeiro, além de queda de 0,7% em fevereiro e novo recuo de 1,3% em março.

Entretanto, Azeredo chama a atenção para o forte aumento na contratação de temporários no último trimestre de 2012, o que poderia estar ocasionando ainda a dispensa de trabalhadores na região no primeiro trimestre de 2013. Em outubro do ano passado, a região registrou aumento de 1,4% no total de ocupados, seguido por expansão de 0,7% em novembro e crescimento de 0,6% em dezembro.

"Ao todo, houve aumento de 2,6% no número de ocupados no último trimestre do ano passado. E, houve perda de 3,3% no primeiro trimestre de 2013. São Paulo ainda está dispensando temporários", avaliou o coordenador do IBGE. "Essa perda pode ter sido ocasionada pelo aumento (na ocupação) que teve no último trimestre. Mas houve dispensa maior de trabalhadores do que o que foi contratado", acrescentou.

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