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SPB completa um mês com pequenos problemas e elogios

O novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) completa nesta quarta-feira o primeiro mês de funcionamento e, para os responsáveis pela sistema nos bancos, a melhor prova do sucesso está no fato de que praticamente ninguém mais fala dele. "É fato que o SPB deixou de ser um grande assunto e os acidentes que ocorreram nesse primeiro mês são baixíssimos perto do tamanho do sistema. É sem dúvida um grande sucesso, ainda mais no tempo em que foi colocado", avalia a diretora de Cash Management do BankBoston, Sandra Boteguín. Não que o sistema tenha sido imune a problemas. Além do natural impacto sobre a liquidez dos negócios, nos primeiros dias de funcionamento do SPB um dos maiores bancos do País apresentou falhas no lançamento das operações, o preocupou muitas das instituições que faziam negócios com o banco.Um novo e mais complicado alerta apareceu no último dia 11, quando uma falha em um programa de comunicação entre o BC e as instituições financeiras levou o Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) a iniciar as liquidações apenas no final da tarde. No período de testes, esse programa havia funcionado normalmente e, por isso, o BC não havia planejado contingência específica para ele. Problemas normaisPara os executivos envolvidos com o SPB, esses e outros problemas menores podem ser considerados, no entanto, normais dentro de uma mudança de tamanho porte. "Ainda estamos numa fase de ajuste e é normal que apareçam pequenos problemas. Ao olhar o novo sistema como um todo, no entanto, podemos dizer que são irrisórios", disse o diretor de Liquidação e Custódia do Citibank, Pedro Luiz Guerra. Uma das provas de que o sistema ainda passa por fase de ajuste está no horário de fechamento dos mercados. A meta do SPB, que os diretores esperam seja alcançada até julho, é que todas as transações estejam devidamente registradas e encerradas até as 18h30. Nos primeiros dias, o mercado conseguiu encerrar as operações depois das 23 horas. Algumas semanas depois, entre 20 e 21 horas e ontem o mercado fechou por volta das 19h30. "Não é do dia para a noite que se mudam procedimentos e processos que valeram durante anos, isso leva algum tempo para ser absorvido", avalia Guerra. GradualidadeTambém contribui para o sucesso do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro o fato de que ele ainda não foi integralmente executado. O depósito compulsório sobre os cheques e DOCs acima de R$ 5 mil só começa a valer, gradualmente, a partir do início de agosto. O limite atual de R$ 1 milhão para as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED) entre bancos e clientes ainda torna pequeno o universo de operações no sistema e a mais relevante das clearings em termos de volume, a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), só deve entrar em funcionamento dentro de dois meses pelo cronograma oficial - prazo considerado apertado pela maior parte dos executivos consultados. Além disso, a necessária e prometida mudança na incidência do compulsório sobre os depósitos à vista, com vistas a evitar distorções no sistema, ficará para outubro. Toda essa gradualidade é vista com bons olhos pelos bancos. "O limite de R$ 5 milhões para a TED e o adiamento da entrada para a CIP e a Central foram decisões sábias da Febraban, pois permitiram que os nossos esforços ficassem concentrados na Selic, na Cetip, o que garantiu um começo mais tranquilo no sistema", afirma o gerente de Produtos do Lloyds TSB, Eloy Forte. Mesma tranqüilidade pode ser observada na clearing de câmbio, administrada pela BM&F. "Superou todas as minhas expectativas. Embora o pessoal técnico daqui visse esse início com otimismo, eu tinha lá minhas dúvidas, era uma mudança muito grande", diz o presidente da BM&F, Manoel Félix Cintra Neto. Segundo ele, a clearing de câmbio já absorve 65% da média do volume diário de câmbio no interbancário, fatia que espera chegar aos 90% dentro de três a quatro meses. Cintra informa ainda que a Central de Ativos da CBLC deverá entrar em funcionamento dentro de 10 a 15 dias, e que estão avançando as negociações com a Central para a unificação da liquidação de ativos na BM&F.Leia no especial: "Seu dinheiro vai circular mais rápido"

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