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SPB: nova relação entre banco e cliente

Há mais de dois anos os bancos brasileiros vêm se adaptando ao novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), que foi programado pelo Banco Central e deve alterar todas as relações bancárias a partir de 22 de abril. Todos os correntistas, direta ou indiretamente, devem ser atingidos por esse processo, que dará prioridade à tecnologia nas transações. A medida que deve trazer maior impacto para quem usa o sistema bancário é a limitação ao uso do DOC e de cheques para a realização de transferências bancárias. Em um primeiro momento, os bancos devem aumentar as taxas para compensação de DOCs e cheques acima de R$ 5 mil. Isso deve servir como estímulo para que uma nova ferramenta, chamada Transferência Eletrônica Disponível (TED), seja usada para a realização dessas operações."O BC vai exigir um pré-depósito para cheques acima de R$ 5 mil. Esse dinheiro vai ficar parado, sem remuneração, e esse custo deve ser repassado aos correntistas", comenta Osias Brito, diretor-executivo do Santander. A TED surge como alternativa fornecida pelos bancos para que as taxas mais altas sejam evitadas.Transferência em tempo realA diferença da TED para os meios tradicionais de compensação é que a transferência de recursos é feita em tempo real, ou seja, no momento em que o correntista autoriza a operação, o dinheiro sai de sua conta e fica automaticamente disponível para o destinatário. O BC pretende que as transações acima de R$ 5 mil passem rapidamente para o novo sistema. Esse valor foi escolhido porque engloba pouco mais de 7% das operações, mas atinge quase 80% dos recursos em trânsito entre os bancos. Segundo o BC, esse sistema traria vantagens significativas, o que garantiria sua rápida aceitação. A TED teria um grau de segurança superior, além de ser mais rápida e sem risco de inadimplência, pois só pode ser concluída quando há recursos na conta bancária. Assim, a maior parte dos correntistas, que raramente fazem transações acima de R$ 5 mil, seria gradativamente atraída para o sistema eletrônico. A partir do momento em que o novo SPB estiver funcionando, uma pessoa no Acre poderá enviar dinheiro para alguém no Rio Grande do Sul, e ele estará disponível no mesmo dia. Com o tempo, instrumentos como TED e cartões de débito devem tomar o espaço de DOCs e cheques, que teriam o uso bastante limitado. Por enquanto, os prazos para a compensação desses documentos continuam os mesmos. A principal desvantagem para os correntistas, ao usar o meio eletrônico, é a necessidade de fundos no momento exato em que a operação é realizada. Relações alteradasO SPB não representará apenas a aceleração de algumas operações para os correntistas. A relação de clientes e bancos, entre as próprias instituições e entre elas e o BC serão alteradas. "Antigamente, as pessoas eram clientes da agência. Depois, passaram a ser clientes dos bancos e, no futuro, serão da rede bancária", define Wilson Gellacic, consultor de sistemas e informática da Ernst&Young. Na prática, isso será feito por meio de um novo processo de compensação que exigiu um investimento "representativo" dos bancos, segundo Brito. Atualmente, os bancos registram às 7h, no BC, todas as transações envolvendo DOCs e cheques. Quando isso é feito, parte das instituições fica com saldo negativo em uma espécie de conta mantida no BC. Esse saldo, que em média é de R$ 6 bilhões, só é coberto às 23h, quando são registradas as operações com títulos feitas durante o dia. O débito é garantido pelo BC, que socorre as instituições que não conseguiram equilibrar as contas. Com o novo sistema, as transações são registradas no momento em que são realizadas e só podem ser concluídas se o banco tiver saldo em sua conta no BC. A instituição que não puder equilibrar as contas terá de pedir crédito para outros bancos. Os grandes bancos tendem a gerir melhor as relações de compensação, embora o ganho de produtividade proporcionado pela tecnologia seja geral no mercado.

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