Spread continua 'colossal', diz 'The Economist'

Os bancos brasileiros continuarão trabalhando com uma diferença "colossal" entre as taxas de juros que cobram quando emprestam dinheiro e as que pagam quando tomam emprestado, observa a revista The Economist. Essa diferença é o que os economistas chamam de spread.

SILVIO CRESPO, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h07

De acordo com gráfico publicado na revista, o spread médio no Brasil no ano passado foi de mais de 30 pontos porcentuais. Ou seja, se os bancos pagavam juros de 10% ao ano aos seus credores, cobravam mais de 40% de seus devedores.

Segundo a Economist, agora o spread no Brasil ficou abaixo de 30 pontos, mas no resto da América Latina é de pouco mais de 5 pontos porcentuais. Entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) fica abaixo de 5 pontos.

A decisão dos bancos controlados pelo governo de reduzir suas taxas de juros, o que foi acompanhado pelos concorrentes privados, "parece estar funcionando", mas "a parte mais difícil ainda está por vir", diz a Economist.

A publicação acredita que a origem do problema está na baixa taxa de poupança do País, em média de 16,5% desde os anos 1990, e cita o cálculo de um economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo o qual a taxa básica de juros no Brasil poderia cair mais de 2 pontos porcentuais sem risco de inflação se a poupança interna fosse semelhante à do México, de 22,6%.

No entanto, considerando que não há sinal de que a poupança no Brasil caminhe para esse patamar e economistas projetam inflação maior no fim do ano, a Economist acredita que o Banco Central será forçado a elevar as taxas de juros para conter o aumento de preços. "O descanso para os tomadores de empréstimo brasileiros pode não durar", conclui a reportagem.

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