Spread demora mais a cair que taxa de captação, diz Febraban

Segundo economista-chefe da Federação, spread bancário está 8 pontos abaixo do divulgado pelo Banco Central

Cesar Bianconi e Patrícia Lara, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2009 | 15h28

O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, afirmou nesta quarta-feira, 28, que a redução do spread bancário é mais lenta do que a das taxas de captação, ao comentar os dados divulgados na terça pelo Banco Central apontando que o spread - a diferença entre o juro que o banco paga para levantar dinheiro e o cobrado dos clientes - atingiu em dezembro o nível mais alto desde agosto de 2003, em 30,6 pontos porcentuais. Isso ocorreu apesar da diminuição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da queda no custo de captação das instituições financeiras. Veja também:Juros caem em dezembro mas bancos ainda elevam spreadDesemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Durante entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, Sardenberg disse que um estudo elaborado pela Febraban indica um spread de 8 pontos porcentuais inferior ao divulgado pelo BC. A diferença, segundo explicou o representante da entidade, é que o BC leva em conta apenas o crédito livre, enquanto a Febraban contabiliza também os empréstimos direcionados, como recursos da poupança destinados à habitação, operações de financiamento a empresas e leasing. Segundo Sardenberg, a alta dos spreads bancários decorre do agravamento da crise financeira internacional e está ligada também ao aumento da inadimplência. Ele defendeu o avanço de uma agenda de medidas que possibilite a redução dos spreads pelas instituições financeiras, mencionando a necessidade de aprovação do Cadastro Positivo, projeto em tramitação no Congresso Nacional, e a redução do compulsório com uma visão de "longo prazo", além de uma diminuição da cunha fiscal, notadamente a cobrança de PIS/Cofins. O economista-chefe da Febraban reconheceu que o compulsório funcionou como um colchão de proteção durante o agravamento da crise financeira global, a partir de setembro do ano passado, já que a liberação de parte desses depósitos foi realizada como forma de acabar com o empoçamento da liquidez. Nos bastidores da entrevista, ainda falando sobre o spread bancário, Sardenberg lembrou que no segmento de pessoa física a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada do tomador final ainda é bastante inferior ao observado no início do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em março de 2003, segundo ele, o spread no crédito a pessoa física estava em quase 60 pontos porcentuais, chegou à mínima de pouco menos de 32 pontos em dezembro de 2007 e agora está ao redor de 45 pontos. No crédito voltado a empresas, a situação é diferente: o spread estava em 15,25 pontos porcentuais em março de 2003 e atingiu o nível recorde de 18,33 pontos em dezembro último. Na mínima desde 2003, o spread para os empréstimos a pessoas jurídicas foi de 11,89 pontos, ocorrida em dezembro de 2007, disse. Conforme Sardenberg, o aumento do spread no caso das empresas está ligado ao fechamento do mercado externo e à dificuldade de se recorrer ao mercado de capitais em busca de dinheiro.

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