Standard & Poor´s analisa risco Brasil

A presidente da Standard & Poor´s no Brasil, Regina Nunes, afirmou que as economias emergentes estão voltando a despertar o interesse dos investidores externos e que o Brasil, embora tenha alcançado resultados inegáveis em seus fundamentos, se comparados aos do ano passado, ainda precisa avançar muito para desfrutar de uma posição mais favorável. Entrevistada no programa Conta Corrente, da Globo News, a dirigente da empresa de rating disse que, gradativamente, a aversão a riscos em mercados emergentes tem diminuído, principalmente na Ásia, e mesmo aqui no Brasil o que se tem visto é uma maior boa vontade, como demonstra a precificação de alguns bônus recentemente colocados pelo governo brasileiro.Indagada se os indicadores positivos (inflação em queda, forte superávit na balança comercial e equilíbrio no balanço de pagamentos) não seriam suficientes para despertar a confiança dos investidores, Regina Nunes disse que a S&P nunca deteriora a nota que confere ao Brasil, como o fizeram os próprios investidores. "Nós ficamos sustentado uma classificação para o Brasil, na qual não se vê em hipótese nenhuma a vulnerabilidade que o investidor estava fazendo. Então, obviamente, a gente, hoje, também não tem essa melhora tão grande." A importância das reformasRegina esclareceu que sua empresa já colocou o Brasil na categoria "estável" há um mês e meio, e com a aprovação da reforma da Previdência, e agora com o início da votação da reforma tributária, pode ser um primeiro passo para uma visão, do ponto de vista da S&P, de um crescimento mais sustentável, com uma menor necessidade de endividamento. Para ela, não é que essa questão seja colocada para já, pois depende muito mais de uma diminuição da relação dívida-PIB, do que de um esclarecimento das regras que o governo Lula pretende adotar, como na questão das agências reguladoras. Surpresa agradávelPara a presidente da S&P no Brasil, nem o mais agressivo dos investidores poderia imaginar que o governo Lula adotasse uma política macroeconômica tão robusta, e de uma forma tão rápida, como tem acontecido. "Tanto é assim que, hoje, você tem uma inflação sob controle e um maior apetite para os papéis do Brasil. O C-Bond, que no final do ano passado valia menos de 50% de seu valor de face, hoje está com 90%, e em alguns casos até mais do que isso. Então, a recuperação existe e ela está refletindo. O grande ponto é que a Standard & Poor´s faz uma análise de longo prazo. Nessa análise você tem de trazer uma diminuição gradativa das vulnerabilidades estruturais do Brasil e, certamente, de uma menor necessidade de capital de terceiros para que o País possa ditar sua própria política." ConclusãoRegina Nunes concluiu sua análise dizendo: "Certamente, hoje, o Brasil tem uma condição econômico-financeira muito melhor do que tinha no ano passado, o que tem de estar incorporado na realidade do País. Isso já está começando a se reverter. Não há espaço para uma política fiscal mais relaxada. Ao contrário, acho que ela tem que ser cada vez mais forte, para que se gaste menos do que se recebe, e cada vez se diminua mais o endividamento. Por outro lado, já se vê um espaço muito grande para o relaxamento da política monetária. E esse relaxamento, que já vem acontecendo, e mesmo (o aumento do) crédito direto dos bancos para as pessoas, já pode criar um ambiente no qual o Brasil pode ter um crescimento sustentável muito acima do 1,5% esperado. Mas não dá para a gente dizer que vai acontecer antes de se tornar realidade. Não é esperar até dezembro, ou até a semana que vem. Tem de se esperar que seja uma realidade, porque quem arrisca no mercado é trader, não é agência de risco. Agência de risco avalia o risco, avisa como ela vê esse risco e quem decide se entrega seu capital e a que preço são os investidores."

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