Standard & Poor’s elogia ‘continuidade e pragmatismo’ do governo Dilma

Presidente da agência de risco diz que País teria crescido menos que 0,9% sem incentivos federais

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

16 de abril de 2013 | 15h25

SÃO PAULO - A presidente da agência de classificação de risco Standard & Poor's no Brasil, Regina Nunes, avalia como "positiva" a gestão da economia pelo governo da presidente Dilma Rousseff.

"O governo vem dando continuidade à atuação pragmática que fez com que o País conquistasse o grau de investimento", disse. Regina Nunes.

 

"Destaco a harmonia das políticas fiscal e monetária, que agiram para estimular o nível de atividade no ano passado", comentou, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

"Se os juros não fossem reduzidos em 2012, bem como se não tivessem sido adotadas várias medidas de desonerações tributárias para vários setores produtivos, o PIB teria crescido menos de 0,9%. E isso seria negativo para o País, com repercussões para a renda das famílias e o caixa das empresas e traria efeitos ruins até para a saúde dos bancos", ponderou.

 

Regina Nunes ressaltou que permanece estável na agência S&P a perspectiva de avaliação do rating do Brasil, bem como sua nota soberana, que atualmente é BBB.

Como é de praxe, ela não comenta qual seria a tendência da avaliação da agência de rating sobre o Brasil no decorrer de 2013. "Algumas pessoas falam de falta de previsibilidade do governo, mas essa não é a minha avaliação. Ao contrário. Vejo grande coerência em relação à gestão da política econômica e também a outros temas, como o interesse do Poder Executivo em ampliar os investimentos em infraestrutura, com maior participação do setor privado", apontou Regina.

Segundo ela, é muito difícil para a administração federal realizar projetos de concessões públicas em rodovias, portos e aeroportos e acertar rapidamente qual é a demanda de retorno dos projetos pelas companhias privadas.

 

"É um processo de aprendizado. O governo faz uma oferta, as empresas particulares se manifestam e dessa interação é encontrada uma taxa de retorno atrativa para os investidores e que, ao mesmo tempo, maximiza os benefícios sociais dos projetos", afirmou Regina.

"O Poder Executivo não pode fazer as coisas com pressa, isso pode colocar em risco o patrimônio público por um prazo longo, de 30 anos."

 

Nesse contexto, ela também avaliou como "adequada" a postura do governo Dilma Rousseff de agora administrar a Petrobrás em uma busca de uma equalização dos preços dos combustíveis no Brasil com os praticados no mercado internacional.

 

"Não há país nenhum no mundo onde as diretrizes do setor de energia não sejam influenciadas pelo Estado, mesmo que o segmento seja 100% dominado pelo setor privado. Trata-se de uma questão vital de desenvolvimento econômico", afirmou.

"No entanto, essa política do governo em relação à Petrobrás é correta. Além de existir uma questão importante de governança, é fundamental adotar medidas que viabilizem o programa de investimentos de longo prazo de US$ 230 bilhões da companhia, um dos maiores do mundo", destacou.

 

Regina afirmou, no entanto, que seria importante que o governo adotasse medidas pontuais para simplificar a estrutura tributária. "Isso ajudaria a estimular os investimentos no País", destacou.

Ela acha que a administração federal tem agido bem ao buscar mudanças específicas na estrutura de tributos nacional, como buscar a unificação federal das alíquotas interestaduais de ICMS.

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