Staples compra Office Depot por US$ 6,3 bi

Com junção de líder e vice-líder do setor, mercado americano terá apenas uma grande rede de material para escritórios, com US$ 34 bi em receitas

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2015 | 02h06

A Staples, maior loja de material para escritórios dos Estados Unidos, acertou a compra da concorrente Office Depot, vice-líder do setor, por US$ 6,3 bilhões. A operação, que ainda precisará da aprovação do órgão antitruste americano (FTC, na sigla em inglês), ocorre pouco mais de um ano após a Office Depot fundir-se com a Office Max, a então terceira colocada no segmento.

Se a operação for concluída, o mercado americano passará a ter, portanto, apenas uma grande rede de suprimentos para escritórios, com receita de cerca de US$ 34 bilhões e mais de 4 mil lojas.

Alguns analistas acreditam que a tarefa de convencer o FTC não será tão simples. A associação de Office Depot e Office Max foi aprovada sob a análise de que as lojas, juntas, representariam uma concorrência maior à Staples, disse um analista à agência Bloomberg.

Mas outros acham que o argumento da crescente concorrência de grandes redes, como Walmart, e de varejistas online pode ser acatado. Isso porque esse movimento faz o panorama competitivo de hoje ser diferente do de 1997, ano em que a Staples e a Office Depot tentaram uma fusão que foi barrada pela agência reguladora.

"Acredito que há uma grande chance de o acordo ser aprovado", disse Seth Bloom, um veterano da divisão antitruste do Departamento de Justiça que agora opera no setor privado.

A avaliação da FTC deve se concentrar nos preços. "A menos que a FTC considere que os preços aumentaram em decorrência da aquisição (da Office Max pela Office Depot), a transação da Staples tem boa chance de aprovação também", disse Michael Keeley, sócio do escritório de advocacia Axinn, Veltrop & Harkrider.

Brasil. A Staples já está presente no Brasil há cerca de quatro anos. Mas, diferentemente das lojas de mais de mil metros quadrados dos EUA, aqui a empresa começou com um e-commerce. De físico, a companhia tem no País apenas um quiosque no Shopping Market Place, em São Paulo, aberto no ano passado.

E tudo indica que não haverá megaloja por aqui, já que a empresa está reavaliando esse modelo nos EUA e fechando grandes unidades. Além disso, ela teria de enfrentar uma forte rival no mercado brasileiro, a Kalunga, que estimava fechar 2014 com receita de R$ 1,8 bilhão.

A Staples não revela a receita no País, mas fontes de mercado estimam que seja em torno de R$ 200 milhões. Em entrevista ao Estado em outubro passado, o presidente da Staples na América Latina, Leo Piccioli, disse que a empresa havia acabado de injetar R$ 35 milhões no País.

A Office Depot também já tem um pé no Brasil. Em 2012, a empresa firmou acordo com a distribuidora de material de escritório Gimba, que passou a atender os clientes multinacionais da americana no País.

Reação. Com o anúncio da compra da Office Depot, as ações da Staples caíram ontem mais de 10%, sugerindo uma preocupação dos investidores. Brian Yarbrough, analista na corretora Edward Jones, disse que a Staples estava assumindo uma grande dívida para comprar um concorrente num mercado fraco. A Staples levantou US$ 5,75 bilhões com bancos para financiar o negócio. (Com agências internacionais)

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