Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
AP
AP

Starbucks gera fúria na web com campanha racial

Empresa escreve a frase 'Race Together' (raças unidas) nos copos de suas bebidas nos EUA para estimular diálogo sobre preconceito

SYDNEY EMBER, The New York Times

23 de março de 2015 | 02h06

Rabiscadas em copos da Starbucks, as palavras "Race Together" ("raças unidas", em tradução livre) faziam parte de uma campanha cuja finalidade era estimular o diálogo sobre relações raciais nos EUA. A ação foi lançada semana passada, poucos dias antes da reunião anual de acionistas da empresa, na última quarta-feira. No entanto, a iniciativa desencadeou escárnio e críticas generalizadas.

A inovação provocou a ira nas redes sociais, atraiu críticas e ceticismo. Os ataques tornaram-se tão hostis que o vice-presidente de comunicações globais da Starbucks, Corey duBrowa, chegou a excluir temporariamente sua conta no Twitter no dia da estreia, na segunda-feira.

A fúria e a confusão se resumiam a uma simples pergunta: o que estava pensando a Starbucks? As reações dos internautas variaram de paródias em vídeo simulando interações de clientes com garçons até ataques online contra executivos da companhia. Muitos destacaram que a direção da empresa é predominantemente branca, enquanto a maioria de seus garçons fazem parte de minorias. 

Outros defenderam um relacionamento mais tradicional com as empresas que frequentam. Gwen Ifill, uma das âncoras do programa PBS NewsHour, tuitou: "Juro por Deus que se você começar a me envolver numa discussão sobre a questão racial antes do meu café da manhã, isso não vai acabar bem".

A reunião do dia seguinte, em Seattle, em que o presidente da Starbucks, Howard Schultz, tratou da nova campanha, foi acompanhada pela apresentação de oradores afro-americanos, como o rapper Common (que recebeu com John Legend o Oscar de melhor canção original por Glory, do filme Selma), e se encerrou com a empolgante interpretação de Hallelujah por Jennifer Hudson.

"O tema da raça é pouco ortodoxo e até desconfortável para uma reunião anual", reconheceu. "Onde os outros só enxergam custos, riscos, desculpas e desesperança, nós vemos e criamos oportunidade - este é o papel e a responsabilidade de uma companhia que visa o lucro."

A empresa disse que a iniciativa "Race Together" nasceu de uma reunião convocada por Schultz em dezembro de 2014, na sede da empresa em Seattle, para discutir a tensão racial. Tiroteios com policiais envolvendo a morte de afro-americanos e as tensões que se seguiram nos estados de Missouri, Nova York e Califórnia tinham dado relevância nacional ao assunto.

Schultz defendeu a campanha no encerramento da reunião de quarta-feira, alegando que a empresa deveria assumir um papel de liderança nestas questões sociais.

Discurso. A campanha foi encerrada ontem, segundo o Seattle Times. Schultz diz, conforme a publicação, que a campanha estava prevista para durar uma semana mesmo. Mas a iniciativa da Starbucks no campo racial está "longe de terminar", segundo comunicado do executivo aos funcionários. Ele afirmou que o tema continuará a ser debatido por funcionários em fóruns e que a empresa vai contratar 10 mil jovens em risco (que não estejam trabalhando nem estudando). (Tradução de  Ana Capovilla)

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Starbucks

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.