Startup Farm 'acelera' novos negócios

Programa gratuito roda o Brasil para ajudar a formar novos empreendedores de tecnologia

Ligia Aguilhar, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2014 | 02h05

No mercado de tecnologia, as aceleradoras estão para as startups como os cursinhos estão para os vestibulandos. Em ambos os casos, os alunos têm um longo caminho pela frente. Mas com dicas certeiras para criar a melhor estratégia, podem garantir um belo início de carreira.

Nas últimas cinco semanas, 15 startups fizeram uma imersão em tempo integral no mundo dos negócios. Apinhadas em um escritório coletivo na zona sul de São Paulo, tiveram aula com palestrantes, conversas com empreendedores experientes e tarefas semanais para formatar e desenvolver seus planos de negócios.

Elas participam da 10ª edição do Startup Farm, programa itinerante de aceleração que roda o País para ajudar a fomentar o mercado de novas empresas de tecnologia no Brasil. O projeto foi um dos primeiros do tipo no Brasil, criado em 2010 por Felipe Matos, atual diretor do programa Start-Up Brasil do governo federal. Até agora já passou por seis cidades e acelerou 117 startups, entre elas o app Easy Taxi, presente em 27 países.

As aceleradoras de startups se proliferaram no mercado brasileiro nos últimos anos - estima-se que existam 52 atualmente. Ao contrário de outros programas, porém, a Startup Farm não faz aportes financeiros nos negócios inicialmente e não exige participação nas empresas. Todo o processo é gratuito e acontece em tempo recorde: cinco semanas, contra a média de seis meses nas demais. "Nosso foco é na formação do empreendedor. Percebemos que o fomento à cultura do empreendedorismo foi fundamental para o desenvolvimento do Vale Silício", diz Alan Leite, diretor executivo da Startup Farm.

O programa é bancado por parceiros e patrocinadores. O foco da última turma, que teve como parceiros a IBM e a SendGrid, era o mercado corporativo. Entre as empresas selecionadas estava a mineira Yoozon, um sistema de hospedagem de sites na nuvem que no início da semana comemorava sua aprovação no programa Startup Chile depois de mudar o modelo de negócios repetidas vezes.

Já a Scipopulis, que entrou no programa apenas com a ideia de criar um aplicativo colaborativo para informar sobre a lotação e horário em que os ônibus passam em cada ponto da cidade, evoluíram o projeto para uma espécie de "Waze do transporte público". "Nos faltava foco. Com as palestras e mentorias conseguimos desenvolver o produto" conta o cofundador Roberto Cardoso, que pretende lançar o app no segundo semestre.

No último ano a Startup Farm passou por mudanças. Leite retomou os planos de expansão e quer realizar mais edições do programa por ano, que não tem hoje periodicidade definida. "Nosso maior desafio é realizar edições fora dos grandes centros, porque o custo com logística é alto, em torno de R$ 100 mil, e dependemos totalmente de apoiadores", explica Leite.

Hoje a Startup Farm negocia com parceiros para tentar levar o programa para mais 20 cidades e outros dois países da América Latina.

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