Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Startups crescem contornando o apagão de mão de obra

Levaremos dez anos para formar os profissionais que o setor precisará para os próximos três anos

Marcio William*, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2022 | 04h00

Apesar de o momento político e econômico brasileiro ser pouco atraente para o investimento estrangeiro direto, as startups continuam captando uma montanha de dinheiro. Os mais de US$ 9,4 bilhões de aportes realizados, em 2021, pelos fundos de investimentos nas inovadoras empresas de tecnologia do País superaram em muito todo o volume de US$ 3,5 bilhões movimentado em 2020, que havia sido o melhor da história. 

Quando esse dinheiro todo entra no caixa das startups, rapidamente ele se transforma em mais inovação, mais soluções, além de acelerar o ritmo de crescimento e, principalmente, mais postos de trabalho qualificados. 

Dado esse cenário, chego ao ponto que me fez refletir sobre tudo isso. Precisamos de talentos para manter o ritmo da transformação colocada em prática pelas startups, mas está bem complicado preencher as vagas destinadas a desenvolvedores e outras especialidades da área de computação. A Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom) estima que 420 mil postos de trabalho serão abertos até 2024. No ritmo atual, levaremos dez anos para formar os profissionais que o setor precisará nos próximos três anos. 

Como profissional de tecnologia e gestor de um time composto por mais de 100 engenheiros, cientistas de computação e um sem-número de especialistas vindos de áreas correlatas, isso me preocupa muito não somente sob o aspecto de negócio e dos gargalos ao crescimento. Preocupo-me com a ausência de oportunidades para tantos jovens que podem ter suas vidas transformadas. Não são raros os casos dos recém-formados em cursos de computação que, da noite para o dia, se tornam os principais responsáveis pela renda de suas famílias. 

Estamos falando de jovens que, ao saírem das faculdades (ou antes disso), ingressam no mercado de trabalho com salários, frequentemente, superiores a R$ 5 mil por mês. Eu mesmo segui este caminho e fui além. Muitos outros podem trilhar caminhos semelhantes, transformando suas vidas e negócios com o que aprenderam nas faculdades. 

Concordo que a porta de entrada são os cursos técnicos, mas não podemos fechar as portas das faculdades a essa grande quantidade de talentos que possuímos, mas desperdiçamos por falta de estímulos e oportunidades para evoluir nos estudos. 

Se as startups fazem muito, mesmo com essa escassez, imagine aonde podem chegar se as políticas educacionais não tirarem a possibilidade de encontrar profissionais bem formados para garantir a continuidade da inovação. 

* é cofundador e Head de Engenharia da Remessa Online. Também foi um dos fundadores da Easy Taxi

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