Startups criam um novo trajeto entre livros e leitores

Projetos mostram vantagens do relacionamento direto, sem o intermédio de redes de livrarias

Luiza Dalmazo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2018 | 05h00

O trabalho de startups brasileiras mostra que existe espaço para abordagens criativas na hora de vender livros – e que pensar fora da caixa pode gerar lucros. Entre os modelos já consagrados está o da Tag Livros, clube de livros criado em Porto Alegre, em 2014, e que prevê faturar R$ 26 milhões em 2018 – valor equivalente a cerca de um décimo da receita estimada pelo mercado para a Livraria Cultura (a empresa deixou de divulgar dados em 2016).

Gustavo Lembert, sócio-fundador da Tag, engrossa o coro dos que defendem que a crise que as livrarias é de canal de venda, e não de falta de leitores. “Ainda vemos grande demanda por livros”, diz o empreendedor. Ele defende a aproximação direta com os leitores: “O contato com nossos leitores rompe a lógica historicamente praticada pelas editoras, que viam as livrarias, e não o leitor, como seus clientes. As dificuldades da Saraiva e da Cultura vão obrigar as editoras a mudarem de pensamento.”

A Ubook é outro exemplo de empresa que detectou uma demanda que os grupos estabelecidos do mercado editorial jamais conseguiram desenvolver no Brasil: os livros em áudio. O presidente da Ubook, Flávio Osso, diz que resolveu investir no negócio depois de detectar que as pessoas gostariam de ler mais, mas não faziam isso por falta de tempo. Disponível por meio de um aplicativo, o Ubook mantém parceria com grandes editoras e também produz conteúdos exclusivos, encomendados conforme a demanda percebidas entre os clientes.

Entre as editoras parcerias da Ubook está a Todavia. Criada em 2017, a Todavia já nasceu antenada com as novas formas de comercialização: mantém um site de vendas diretas de seus títulos e se associou à startup por acreditar que o livro pode chegar ao consumidor em diferentes formatos. “O varejo passa por uma transformação muito importante, e acreditamos que o audiobook é um formato viável, uma nova forma de as narrativas chegarem às pessoa”, diz Marcelo Levy, diretor comercial da editora.

Criada em 2014, a Ubook tem hoje 6 milhões de usuários ativos e aproximadamente 25 mil livros disponíveis em inglês, espanhol e português. “O nosso modelo de audiolivro é complementar a outras formas de literatura. Não acreditamos que iremos substituir outros formatos. Até porque, em alguns momentos, como em frente a uma lareira, em um momento de descanso, é difícil substituir o livro tradicional.”

Para crianças

A Storymax, fundada em 2013 por Samira Almeida, dedica-se à criação do hábito da leitura em crianças. A empreendedora Samira Almeida trabalhou em uma editora de livros infantis por 12 anos – e percebia constante queda nas vendas. Por isso, decidiu criar uma solução para trazer os livros para os celulares e tablets, cada vez mais usados pelas crianças.

Logo no início das atividades da Storymax, alguns aplicativos foram vendidos para escolas americanas. A empresa já fez parte do Google Campus (programa que seleciona startups com potencial para receber apoio do Google por um semestre) e acumula vários prêmios, incluindo dois Jabutis. A companhia não revela faturamento, mas estima ter alcançado 120 mil leitores. / Colaborou Fernando Scheller.

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