Startups devem apostar em conveniência

A rotina cada vez mais corrida nas grandes cidades faz com que o consumidor afirme sem medo de errar: 'Não tenho tempo para nada!' Na verdade, o que ocorre é que ele dedica o pouco tempo livre ao que realmente lhe importa. Por isso, a palavra da vez para quem pensa em empreender no País é conveniência. Seja o negócio uma startup ou não.

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h12

Um bom exemplo de que essa estratégia funciona é o Empório da Papinha. Considerada uma startup pelo professor de empreendedorismo Marcelo Nakagawa, do Insper, o negócio fabrica alimentos orgânicos para bebês. A proposta é clara: oferecer comida saudável aos filhos de pais atarefados. Muito atarefados. Tem dado certo. O negócio faturou R$ 1,7 milhão no ano passado e quer fechar 2014 com crescimento de 76%.

A empresa abriu as portas em 2009, com investimento aproximado de R$ 700 mil para a montagem da cozinha industrial e da primeira loja. Há dois anos, o Empório da Papinha passou a licenciar a marca e são 17 lojas.

O cardápio oferecido aos clientes conta com mais de 70 receitas - as papinhas representam de 70% a 80% do faturamento, mas há outros pratos prontos, criados para atender crianças e adultos. "Usamos um processo de ultra congelamento depois que o alimento sai da panela e isso permite que os nossos produtos não tenham conservantes", explica Maria Fernanda Thomé de Rizzo, fundadora do empreendimento.

Outro negócio que pretende entregar conveniência ao cliente vem do Paraná. Seis alunos do quarto ano de engenharia elétrica da Universidade Positivo, em Curitiba, criaram a Hivehouse. A ideia é surfar na onda da internet das coisas - criar soluções tecnológicas para facilitar a relação das pessoas com eletrodomésticos. "Criamos uma central de automação para a casa, como um modem que possibilita ao morador controlar, por meio da internet, e de maneira remota, equipamentos como cafeteira, televisão, ar-condicionado, ventilador e sistemas de segurança", explica Eduardo Bueno Ferreira, um dos fundadores do negócio em parceria com Gustavo Eduardo da Silva, William Tibes Júnior, Anderson José Agner Silvestre, Tiago Raubert de Farias e Guilherme Kmiecik.

Essa tecnologia, conta Ferreira, "possui uma inteligência embutida". "Com o tempo, a casa vai conhecendo os hábitos dos moradores e pode fazer perguntas, como se eles (consumidores) querem que apague a luz de um cômodo", acrescenta o empreendedor.

A Hivehouse, que nasceu na incubadora Start UP, está em busca de clientes e também de parcerias com fabricantes de eletrodomésticos para iniciar a implementação do aparelho. Por enquanto, para ajudar a obter recursos financeiros, os empreendedores instalam ventiladores e aparelhos de ar-condicionado em residências.

Análise. O professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, reforça a importância do pequeno negócio oferecer algum tipo de conveniência ao consumidor. "Acho que as empresas terão oportunidades em um futuro próximo no sentido de oferecerem serviços diferentes também fora do lar, algumas coisas que as pessoas não têm mais tempo para fazer, como serviços de banco, compras de 'hortifrutis' ou até mesmo levar os filhos à escola. O elemento conveniência é praticamente obrigatório para quem quer entrar no mercado por meio de uma startup", disse o especialista.business to business

O segredo para chegar

lá passa pela solução de problemas que o cliente não tem mais tempo (ou não quer) resolver

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