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Startups entram no radar dos investidores

Governos, empresas e pessoas físicas estão cada vez mais apostando em empresas iniciantes desenvolvedoras de inovação  

Daniela Rocha, especial para o Estado,

05 de junho de 2013 | 15h41

Novos programas governamentais e maior volume de recursos estão sendo oferecidos para impulsionar as startups no Brasil nos próximos anos. O setor é formado por empresas iniciantes desenvolvedoras de inovações. Para fortalecer o empreendedorismo na área da tecnologia da informação (TI), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou o programa Start-up Brasil. "O objetivo é dar condições para que ideias de empresas nascentes de base tecnológica floresçam no País", afirma Virgílio Almeida, secretário de Política de Informática do MCTI. O setor de TI representa 5% do Produto Interno Bruto do País.

No total, serão selecionadas 100 startups e cada uma receberá R$ 200 mil em forma de bolsa para pagamento de profissionais envolvidos em pesquisas ao longo de um ano. Essas pequenas empresas vão participar de um programa de aceleração com acesso a infraestrutura física, assessoria jurídica e orientações de mentores. As nove aceleradoras já selecionadas pelo ministério - Aceleratech, 21212, Microsoft, Papaya, Pipa, Wayra (iniciativa da Telefônica), Fumsoft, Outsource Brazil e StartYouUp -, vão oferecer suporte e investir R$ 36 milhões nessas empresas em troca de participação societária. Ao final de 12 meses, as startups com melhor desempenho vão receber valores adicionais que somam R$ 100 milhões para alavancarem seus negócios. "Esse programa é claramente uma PPP (Parceria Público-Privada)", comenta o secretário do MCTI.

O primeiro edital do Start-Up, concluído no final de maio, selecionou 50 empresas. Uma segunda rodada para escolha das outras 50 terá início em 19 de novembro e os resultados serão apresentados em dezembro. "No ano que vem, teremos mais 100 empresas. A ideia é fazer isso de maneira contínua para criar esse espírito das startups no Brasil", destaca Virgílio Almeida. A cada edição, uma fatia de 25% dos projetos pode ser de estrangeiros. "Vamos receber empreendedores jovens e talentosos que queiram abrir empresas no Brasil."

Expectativa. A partir de julho, o prazo entre a análise dos projetos e a resposta sobre a contratação do crédito será de 30 dias. Depois então, a empresa será orientada sobre documentação adicional para que seja feita a liberação dos recursos. No âmbito da Finep, Agência Brasileira de Inovação, vinculada ao MCTI, a meta para 2013 é atingir R$ 5,5 bilhões em linhas de crédito voltados aos projetos empresariais de inovação em diversos setores, sendo que 20% desse total será direcionado para micro e pequenas empresas (com faturamento anual de até R$ 16 milhões). "Estamos aperfeiçoando processos internos e toda a parte de informática", explica João De Negri, diretor de Inovação da Finep. Os empréstimos têm taxas de juros subsidiadas de 2,5% a 5,0% ao ano, quatro anos de carência e prazo de até 12 anos para pagamento.

Para os programas de subvenção econômica, isto é, dinheiro não reembolsável para empresas, a Finep destinará R$ 4,2 bilhões em 2013. Nesse caso, 20% serão para empresas de pequeno porte. O acesso a esses recursos é feito por editais da agência. "São recursos específicos para o pagamento de professores e pesquisadores envolvidos nos projetos", explica De Negri. Além disso, a partir de julho, a agência vai aportar mais R$ 200 milhões no Programa Inovar, para estruturação de novos fundos de venture capital e também do segmento Seed (semente), que é voltado às startups.

Até então, a Finep, já havia comprometido R$ 500 milhões em fundos, que ao receberem outros investidores, chegaram a um patrimônio de R$ 5 bilhões. Um quarto desse valor foi para as startups. "Ao adquirir participação acionária, a Finep assume o risco e estimula mais investimentos", diz o diretor de Inovação.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também está ampliando sua atuação em fundos de capital semente. "Esse é o segmento que temos dado prioridade. As startups costumam ter dificuldade de acesso aos financiamentos bancários, estão começando e não têm garantias. O fundo cobre essa lacuna", comenta o chefe do Departamento de Investimento da Área de Capital Empreendedor do banco, Pedro dos Passos.

Este ano, o BNDES entrará com R$ 136 milhões no Criatec 2. Os gestores já foram selecionados e agora o fundo está na fase de captação. O patrimônio deverá chegar a R$ 190 milhões, conforme previsão de Passos. O objetivo é investir em 36 startups selecionadas em universidades e centros tecnológicos. Para o Criatec 3, o processo de seleção dos gestores será concluído este ano, porém, o fundo só vai começar a operar em 2014. Há projeção de outros R$ 190 milhões. Lançado em 2007, o Criatec 1 contou com R$ 80 milhões do BNDES mais R$ 20 milhões do Banco do Nordeste, aportados em 36 projetos de empresas com faturamento anual de até R$ 6 milhões.

Os novos fundos Criatec 2 e 3 aumentaram o universo de empresas que podem ser selecionadas, com receitas maiores, de até R$ 10 milhões por ano. Entretanto, os gestores poderão escolher empresas com ou sem faturamento. "No Criatec 1, parte das empresas ainda não tinha faturamento e se utilizou dos recursos para concluir pesquisas, finalizar produtos e colocá-los no mercado", lembra Passos. 

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