Startups provocam boom bilionário

Investidores entusiasmados com mercado de tecnologia apostam alto em iniciantes

MICHAEL J. DE LA MERCED , MIKE ISAAC , THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2015 | 02h04

Menos de doze meses depois de os investidores avaliarem o aplicativo de mensagens Snapchat em cerca de US$ 10 bilhões, a startup está de volta ao mercado em busca de dinheiro e deve quase dobrar sua valorização.

Outras startups populares também estão a ponto de registrar valorizações multibilionária, como o Pinterest, rede social de compartilhamento de fotos, e o Lift, app de serviços de transporte. O Uber, principal concorrente do Lift, levantou mais de US$ 3 bilhões no ano passado e sua valorização hoje é de arregalar os olhos: US$ 40 bilhões.

Somas gigantescas de dinheiro e avaliações altíssimas não são novidade no setor de tecnologia. Mas essa mais recente explosão de atividade deixou bem à mostra o ritmo frenético dos investidores, ávidos para abocanhar a próxima empresa blockbuster tipo Facebook.

Toda essa atividade também vem incentivando rumores de que os investidores fanáticos poderão reviver o período de expansão e retração das empresas ponto.com na virada do século, quando startups excessivamente infladas provocaram uma desaceleração dolorosa e rápida do setor de tecnologia.

Somente no ano passado, 38 empresas de capital fechado apoiadas por capitalistas de risco entraram para o clube dos bilhões, levando o grupo a 54 integrantes, de acordo com a CB Insights. A Digi-Capital, empresa de consultoria na área da internet móvel, estima que o valor total das startups de US$ 1 bilhão ou mais aumentou US$ 28 bilhões só no último trimestre de 2014.

"O grande teste que estamos realizando no momento é: você pode investir centenas de milhões de dólares em 80 ou 90 empresas privadas diferentes e tudo vai correr bem?", disse Bill Gurley, sócio da empresa de capital de risco Benchmark que também é investidor e um dos mais clamorosos defensores do Uber. "Acho que, para alguns, as coisas vão acabar mal".

Antes empresas bilionárias eram coisa rara. Mas rapidamente estão se tornando mais comuns.

Altos e baixos. É o caso, por exemplo, da empresa Slack, startup de comunicação interna para empresas, que atingiu uma valorização bilionária apenas oito meses depois de lançar seu serviço.

Avaliada em US$ 46 bilhões, a Xiaomi, a gigante chinesa na área dos smartphones, criada há apenas cinco anos, é a companhia de tecnologia de capital privado mais valorizada do mundo.

No entanto, nos últimos anos, algumas empresas bem sucedidas sofreram uma forte desvalorização. A Fab, loja online que já chegou a valer US$ 1 bilhão, está próxima de ser vendida hoje por menos de US$ 20 milhões.

Mas histórias de fracasso não diminuem o apetite do investidores por novas estrelas no firmamento das startups. O site social Pinterest, por exemplo, está em conversações para levantar US$ 500 milhões, com uma valorização de mais de US$ 10 bilhões, de acordo com fontes próximas.

O Snapchat também pensa em levantar US$ 500 milhões, para alcançar uma valorização de até US$ 19 bilhões. Embora a empresa, mais conhecida dos adolescentes que usam muito seu serviço de mensagens, esteja contabilizando receita de publicidade há menos de apenas um mês, a promessa que ela representa tem entusiasmado muita gente dos setores de mídia e tecnologia.

O porte dos investimentos claramente tem aumentado. Cerca de US$ 48,3 bilhões foram investidos no ano passado, um aumento 61% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo estudo da National Venture Capital Association e a PricewaterhouseCoopers. Mas essa soma foi distribuída por 4.356 acordos, um aumento de apenas 4%, sugerindo que a maior parte desse capital está indo a menos - embora mais recheadas - rodadas de investimentos./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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