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Status de economia de mercado à China foi erro

O governo brasileiro cometeu um erro grave ao reconhecer a China como uma economia de mercado. Essa é a opinião do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entrevistado do programa Roda Viva, da "TV Cultura", de ontem. Esse reconhecimento, na avaliação de Skaf, pode prejudicar a indústria brasileira no geral. "A China não é economia de mercado, na qual os preços são definidos pelo mercado. A China é uma economia estatizada, com preços artificiais e muito baixos." Com a atitude do governo, "abre-se a guarda" da indústria brasileira, que perde um forte instrumento de defesa comercial, como o dumping.Para Skaf, a valorização do real, associada ao aquecimento do mercado doméstico, são elementos que fragilizam ainda mais a posição do Brasil. "As importações virão com toda a força se não estivermos antenados", prevê. Ele afirma que a Fiesp dará todo apoio aos setores para evitar a "chuva de importações" e espera que o governo reflita bastante antes de oficializar uma decisão, "que foi tomada a portas fechadas, sem consultar ninguém".Skaf acredita que o empresariado tem de lutar, junto ao governo brasileiro, para o fortalecimento do Mercosul. O presidente da Fiesp também elogiou a atitude do governo de endurecer com a Argentina. "A postura argentina de querer sempre proteção, não tem cabimento. Hoje, a Argentina está a plena capacidade, com câmbio a R$ 2,94 e vai crescer 8% este ano, enquanto nós cresceremos 5%. Então, a choradeira não tem cabimento", apontou. Na opinião de Skaf, as regras do Mercosul têm de ser respeitadas, conforme estabelecido no Tratado de Assunção. O Brasil, na avaliação dele, também deve estar aberto para a Alca, mas "negociando, sem aceitar qualquer condição. "As importações dos EUA estão na casa de US$ 1,3 trilhão. É o maior mercado do mundo e não podemos abrir mão disso." Ainda segundo ele, nos moldes como está a política industrial hoje no Brasil, é um "desestímulo" ao empresário brasileiro a continuar trabalhando. Skaf avalia que há muita burocracia, muitos impostos e falta de crédito. Na opinião dele, além de desburocratizar o setor, o governo tem de incentivar a tecnologia, que agrega valor ao produto produzido. Um dos pontos primordiais, que necessita de reavaliação, segundo Skaf, é o crédito, especialmente para as micro e pequenas empresas. Ele diz que há falta de agilidade para liberá-lo às micro, pequenas e médias nas redes de agentes que trabalham em conjunto com o BNDES. "Os agentes engessam a liberação de crédito para as pequenas e médias empresas. E quando são liberados, nem sempre são em volume necessário para os caixas."

Agencia Estado,

21 de dezembro de 2004 | 05h41

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